A notícia da prisão, no último dia 2 de março, do diretor iraniano Jafar Pahani, premiado internacionalmente por filmes como
O Balão Branco e
O Círculo e membro do movimento de oposição à reeleição de junho de 2009 do presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad, nos recorda a opressão sofrida por artistas que se arriscam a retratar a realidade do regime no Irã.
Muitas vezes, os iranianos são obrigados a deixar o país para poder trazer a público os acontecimentos de sua terra natal. O caso recente mais famoso é o de Marjane Satrapi, residente na França, autora do romance gráfico Persépolis (Companhia das Letras), em que conta, de seu ponto vista na época, a história da Revolução Iraniana, responsável por levar os aiatolás ao poder. Transformada em filme de animação, a obra venceu o prêmio do júri no Festival de Cannes em 2007.
Censurados por meio de perseguições aos correspondentes internacionais que tentaram reportá-los, os protestos contra a reeleição de Ahmadinejad chegaram a público por meio da internet, via Twitter e Youtube, onde vídeos como o que mostra a morte da jovem estudante Neda Soltan se tornaram emblemáticos da truculência do regime iraniano.
É também por meio da internet que a editora norte-americana First Seconds publica desde o final de fevereiro o romance gráfico Zahra's Paradise, que relata a história de uma mãe a procura de seu filho, desaparecido em meio ao caos daquele junho de 2009. A obra será liberada aos poucos, até a publicação em livro prevista para 2011.
Residentes nos Estados Unidos e identificados apenas como Amir e Khalil, os autores afirmam receber relatos atualizados do Irã por meio de parentes, motivo pelo qual preferem o anonimato, por temer represálias. Três novos capítulo de Zahra's Paradise são lançados por semana e as primeiras páginas já podem ser lidas em seis línguas, entre elas o inglês e o espanhol, a mais próxima do nosso português.
tags: blogs graphic-novel romance-grafico jornalismo protesto repressao censura