"Acaba de ser descoberta, nos Estados Unidos, uma importante fonte de trabalho de William Faulkner (1897-1962), Prêmio Nobel de 1949, na criação do universo literário de suas obras. Trata-se de um diário escrito pelo fazendeiro Francis Terry Leak, dono de escravos no Mississipi do século XX, terra natal do escritor. O manuscrito serviu de inspiração para nomes de personagens e passagens narrativas", informa o
Blog da Cosac Naify.
A notícia foi publicada no
The New York Times (link no título acima) por Patricia Cohen no último dia 10 de fevereiro, e traduzida por Clara Allain para a
Folha de S. Paulo do domingo 14.
"O manuscrito original, um diário que data da metade do século 19, foi escrito por Francis Terry Leak, um fazendeiro rico do Mississippi [onde o romancista nasceu, em 1897] cujo bisneto Edgar Wiggin Francisco Jr. foi amigo de Faulkner desde a infância dos dois", escreve Cohen.
A descoberta foi feita por Sally Wolff-King, estudiosa da literatura sulina na Universidade Emory, e que há 30 anos se dedica à obra de Faulkner. "O diário e várias histórias de família parecem ter dado o tom filosófico e temático de algumas das obras mais importantes de Faulkner", afirmo ela a Cohen. Os nomes de escravos que pertenceram a Leak - Caruthers, Moses, Isaac, Sam, Toney, Mollie, Edmund e Worsham - aparecem todos em "Desça, Moisés".
"Estudiosos de Faulkner acharam especialmente fascinante sua decisão de dar nomes de escravos a seus personagens brancos. A professora Wolff-King disse acreditar que o escritor 'estivesse tentando recriar as vidas dos escravos e lhes dar uma voz', escreveu Cohen.
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