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"Ameaça ao livro não é e-reader, mas falta de novos leitores"
 
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Bruno Dorigatti, Rio de Janeiro (RJ) · 23/2/2010 · 51 votos · 1
  
Quem afirma é o dono da Livraria Cultura, Pedro Herz, em entrevista à Folha de S. Paulo, publicada no último domingo, 21 de fevereiro. A Cultura vai disponibilizar 150 mil títulos de e-books em suas lojas a partir de março.

"Acho o e-reader uma ferramenta fantástica, mas daí a virar o substituto do livro... Já vi esse filme antes, já vi o VHS chegar e dizer que ia acabar com o cinema. Já vi, na Feira de Frankfurt, dizerem que o mundo ia virar CD-ROM, e o mundo não virou CD-ROM. Dois anos depois não se falava nisso, as editoras me falavam: 'Pô, perdemos um dinheirão, admitimos um monte de gente e não deu em nada'. A sensação que eu tenho é que a gente está vendo uma nuvem, que vai passar. Pode ser que chova, mas, num curto prazo, não vai acontecer nada."

Sobre o burburinho crescente em torno dos livros eletrônicos, Herz acredita ser mais um caso clássico do poder do marketing, neste caso, da indústria eletrônica: "Não só o marketing é tão forte como a indústria, qualquer indústria, tem necessidade de criar modelos novos, seja do que for, e escoar os modelos novos".

A vantagem dos novos readers e tablets, segundo Herz, estaria no uso profissional para advogados ou editores, por exemplo. "Imagina um advogado que vai fazer uma audiência no Acre e tem que levar aquela papelada do processo. Um editor de uma grande editora de livros, que recebe 50 livros novos por semana de todo mundo, para resolver se vai publicar ou não, ter isso digitalizado e num vôo de 12 horas para a Europa ir dando uma olhada no que interessa ou não. É de uma utilidade fantástica, mas não sei se é a melhor ferramenta para o leitor de livros."

Mas a grande questão para o livreiro é: "Fará novos leitores? Quem não lê livro de papel, não vai passar a ler por causa do livro eletrônico. Eu não sei como reagirão os que estão na maternidade. Acredito que quem faz leitor são os pais, inegavelmente. Os jovens leitores são filhos de leitores".

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O acaso tem lá seu papel nisso. Nao há como negar que uma infinidade de bons textos, seja lá por quais conjunturas, acaba por não atinir seu público potencial.

Maurem Kayna · Guaíba (RS) · 6/4/2011 23:53
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