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Demissão de professor da Escola Parque que escreveu poemas eróticos
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RIO - Alunos, artistas e intelectuais prestaram solidariedade neste domingo ao poeta e professor de literatura Oswaldo Martins Teixeira, de 47 anos, demitido no dia 11 de setembro da Escola Parque, porque teria adotado livros considerados inadequados pelos pais de alguns alunos e já teria escrito poesias eróticas.

Mestre pela Uerj, Oswaldo diz que nunca usou suas poesias em sala de aula e que esta é apenas parte de sua obra. A Escola Parque informou que não comentaria o caso, noticiado pelo jornal "Folha de S.Paulo" neste domingo. O colégio é um dos mais conhecidos do Rio, principalmente por sua proposta educacional de vanguarda.

Oswaldo conta que seus problemas começaram no início do ano letivo, quando sugeriu o livro "A jogadora de Go", da chinesa Shan Sa, a alunos do 8º ano do ensino fundamental da unidade da escola na Gávea. O romance trata dos sofrimentos da guerra a partir de encontros de uma adolescente chinesa com um soldado japonês para partidas de Go. A mãe de um aluno achou a obra imprópria pelo conteúdo sexual, e a escola decidiu suspender o uso do livro.

Após uma palestra do professor em um evento literário na escola, alunos acharam poemas eróticos do professor na internet. Como os textos circularam por e-mails, um grupo de pais teria apresentado um dossiê sobre o caso e pressionado a escola, com o argumento de que o professor, autor de poesias eróticas, não poderia dar aulas a jovens de 14 e 15 anos. Segundo Oswaldo, a escola sugeriu que ele pedisse demissão, o que não foi aceito. Logo depois, ele foi demitido.

Publicada em 05/10/2008 no jornal O Globo.

>>> Professor-poeta não pode escrever poemas eróticos? Os pais são hipócritas? Por que a direção da escola recusa a comentar o assunto?

Ramon Mello · Araruama (RJ) · 6/10/2008 17:55
A confusão que o tabu sexual provoca é enorme. Os pais tem o direito de defender a educação de seus filhos. Sim. Mas nem sempre agem corretamente. A relação entre a socieadde classe média carioca e o sexo ainda está muito misturada com os conceitos púdicos de um século atrás. O tema é obscuro para muitos. O sexo é tudo. É "o tabu". Fazer o quê? Nem todos tem uma relação aberta com o sexo como artistas e intelectuais, e mesmo entre estes surgem controvérsias. Na verdade o sexo é tudo, e por isso tão polêmico.

Alexandre Eduardo Weiss · Rio de Janeiro (RJ) · 7/10/2008 18:19
Os poemas - ao menos o que lide deles - não me pareceram muito bons (meu gosto pessoal interfere aí no julgamento, claro); porém, demitir um professor porque é escritor (de poemas eróticos ou ficção cientifica, não interessa: é um autor e deve ser respeitado). Qual o próximo passo? Queimar livros?

Ora...

Lee · 10/10/2008 13:10
Meus filhos estudam na Escola Parque, e conversei muito com várias pessoas, inclusive com a direção da Escola, que no meu entender fez muito bem ao não polemizar publicamente.

Na teoria, todo autor tem que ser respeitado. Na prática, na hora em que você imagina o seu filho ou sua filha de 12, 13, ou mesmo 14 ou 15 anos tendo aula com alguém que ao chegar em casa fica escrevendo poemas sobre garotas espertas que preferem f... com as coleguinhas não me pareceu uma boa simbiose entre o poeta e o professor.

Ele pode escrever o que ele quiser, mas na hora em que resolveu escrever temas eróticos envolvendo garotas e coleguinhas, penso, com todo o respeito, que deveria abrir mão de dar aula para adolescentes. Pode ser preconceito, como disse um amigo, o problema é que os pais acham que escrever sobre sexo com crianças é a mesma coisa que ser pedófilo e pode não ter nada a ver. Realmente, escrever é uma coisa, praticar é outra, como ele disse, não é porque o Stephen King descreve detalhadamente crimes sanguinolentos e cruéis que a gente fica achando que uma vez por mês ele procura um mendigo para dar vazão a seus instintos mais íntimos. Mas respondendo a esse meu amigo, eu também não gostaria que o Stephen King fosse professor do meu filho de 13 anos. Numa faculdade de letras, pode ser um bom quadro acadêmico. No ensino fundamental creio haver outros com perfis mais apropriados.

Poeta erótico e professor de jovens: as duas atividades me parecem inadequadamente incompatíveis. Eu já vi gente comparando esse cara com o Nelson Rodrigues, o tratando como outro incompreendido do seu tempo! Ah, pera lá! Não dá para comparar a qualidade literária de um e de outro, e até onde eu sei, o Anjo Pornográfico não ganhava a vida dando aulas para adolescentes.

Bom, como pai, eu não discordo da demissão, pois para começar, é de se lamentar que um professor de língua portuguesa prefira adotar entre os 6 ou 8 livros que vai usar durante o ano letivo, um livro chinês. Não importa se a autora foi premiada na França e o escambau.

Vejam bem, o que me incomoda no tal livro adotado, não é o fato do livro ter palavrões, quantos de nós lemos "Capitães de Areia" com 13 ou 14 anos?

O que irrita é o pedantismo pretensioso misturado com uma demonstração explícita de descaso e desconhecimento da nossa literatura nacional. Não é a toa que a produção literária do "professor" é tão rasteira.

No início eu fiquei incomodado com a sensação de ter uma mãe reacionária escolhendo os livros que meus filhos podem vir a ler na escola. Depois de ouvir o outro lado da escola, eu lamentei que tivessem deixado o professor indicar o livro antes de dar uma olhada no que ele estava planejando trabalhar e achei que o fato dele ter

Ibitu Biguá · Rio de Janeiro (RJ) · 13/10/2008 12:02
(...) só para concluir o raciosímio... :-)

... o fato dele ter divulgado que tinha um blog num evento da escola, ainda que extra-curricular, era um motivo suficiente para se terminar a relação profissional.

Respeito integralmente o direito da escola demitir qualquer professor pelos motivos que a direção julgar pertinentes. Desde que a escola honre os compromissos assumidos na relação trabalhista, acho que é algo do âmbito da instituição.

Aos pais que acharem que a presença do poeta como professor é algo imprescindível para a formação dos seus filhos, sugiro que o contratem como professor particular, ou que descubram que instituição vai contratá-lo e os matriculem lá.

Erotização precoce do filho dos outros é refresco.

Ibitu Biguá · Rio de Janeiro (RJ) · 13/10/2008 12:09
Ibitu Biguá,
Sou escritor. Às vezes escrevo textos barra-pesada. Histórias de pedofilia (não sou único, até Hilda Hilst escreveu), de toda sorte de aberração sexual ou não.
Tenho filhos. O mais velho não está nem aí para o que escrevo, ou para o que se escreve, sua praia é outra. Minha filha, quase 17, tem interesse. Lê meus livros. Se espanta. Digo a ela que escrevo tudo isso para poder ser um sujeito bem normalzinho, esse que acorda e vai trabalhar e que é bastante convencional em quase tudo, inclusive do ponto de vista sexual.
E daí? Daí, Ibitu, que não será uma demissão que protegerá nossos filhos. E mais: eles, nessa idade curiosa entre os 12 e 20, digamos, não precisam de um professor para fuçar a internet e descobrir tudo, tudinho que se pode fazer com os atributidos genitais que temos.
Na minha modesta opinião, a Escola Parque errou.

Alexandre Brandão · Rio de Janeiro (RJ) · 13/10/2008 21:45
Alexandre, modestas, porém válidas, são todas as nossas opiniões.

Antes de enveredar pelo longo argumento abaixo, quero dizer que tenhos mais dúvidas que certezas nesse tema, e tendo a desconfiar de qualquer um que tenha convicção absoluta a respeito disso.

Eu também acho que a escola errou. Primeiro ao deixar um livro ser adotado sem dar a devida atenção. Se o livro não servia, não devia servir antes de reclamarem. E acho que foram ingenuos ao demitir o professor agora. Poderiam ter colocado o mesmo na geladeira, e no final do ano ele poderia ser dispensado sem maiores alardes. E apesar de eu achar certo não ficar alimentando polêmica, eu acho que a escola deveria ter se manifestado publicamente de alguma maneira, para não ficar parecendo que estava envergonhada do que fez.

Mas errar está ao alcance de todos, e eu não concordo com aqueles que estão execrando a escola como se fosse um antro de obscurantismo e repressão. O que não me parece que foi o seu caso, que fique claro.

Isto posto, quero só esclarecer que não sou contra que se escreva o que se quiser. E concordo plenamente que hoje em dia a garotada tem acesso, queiramos ou não queiramos, a uma pá de coisas que podem nos parecer inadequadas e incômodas, do funk pornográfico ou violento até relatos de como vai se cometer assassinatos em massa ou grupos que apoiam desde a bulimia e a anorexia até o suicídio e o canibalismo. Então acho bastante ingênuo achar que a escola ou mesmo os pais vão controlar esse tipo de coisa. O jeito é tentar permanecer atentos e próximos.

Nada pode proteger meus filhos do mundo. Eles fazem parte do mundo e parte do processo de amadurecer como pai é justamente entender que críamos os filhos para o mundo.

Na minha casa eu sempre tive acesso a muita literatura de boa qualidade, e não me lembro se com 14 ou 15 anos já tinha lido Feliz Ano Novo, que é um livro bastante impressionante. Capitães de Areia tem sexo e palavrões e eu li num colégio religioso mais ou menos com essa idade. Vários livros que eu li com menos de 17 anos podem incomodar corações e mentes mais refratárias. O Senhor das Moscas é absolutamente inquietante no que refere a opressão e violência. Astrid Lindgren já escreveu um livro para jovens onde o protagonista se suicida duas vezes para tentar ser feliz. Se formos entrar no terreno da patrulha insensata (ou essencial para o gosto de alguns), o pó de pirlimpimpim é apologia ao uso de drogas, Hemingway e Bukowski são porcos chauvinistas, e Tolkien é propaganda anti-comunista.

Não sou contra que jovens tenham acesso a literatura com sexo ou violência, e não acho que essa exposição possa causar danos a formação. Se fosse assim, a receita contrária seria a salvação do mundo. Bastava entupir a garotada de histórias de solidariedade exemplar e tudo estaria resolvido.

Mas, apenas a título de debate, eu acho que existe uma diferença muito grande entre a troca que vai haver entre pais e filhos, e a relação professor/alunos.

Então pode ser tabu, pode ser preconceito, pode ser até mesmo hipocrisia, mas eu continuo achando que não é muito compatível escrever poemas envolvendo sexo de e com garotinhas e dar aula para garotinhas.

Você pode escrever o que quiser. Você pode, até certo ponto que não envolva crueldade e irresponsabilidade, expor seus filhos ou deixar que tenham acesso aos conteúdos e canais que achar adequados. Mas eu acho que um escritor que escreve o que quiser não tem imunidade e estabilidade que garanta que ele possa dar aula em qualquer lugar.

Alexandre, eu não sei, no seu caso em particular, no segmento onde você trabalha, se você tem espaço e liberdade para num papo de cafezinho ficar divulgando e falando da sua obra. Pode ser que sim. Que o ambiente seja criativo e liberal. Que todos achem bacana. Ou, de repente, você trabalha numa instituição financeira, ou numa consultoria, e nesse caso, poderia preferir não alardear que às vezes escreve textos barra-pesada.

Cada caso é um caso.

Abraços carregados de vibrações positivas

Rodrigo

Ibitu Biguá · Rio de Janeiro (RJ) · 14/10/2008 09:54
Rodrigo (Ibitu Biguá), acho que temos uma preocupação comum: nossos filhos. Isso é mais importante do que a forma como a escola trata aqueles que trabalham para ela. Mesmo não sendo um trabalhador comum, o professor pode ser demitido sem explicação, ou com falsas explicações. As empresas fazem assim, não quero discutir isso.
Assim, vamos aos filhos. Não sei sua idade, mas eu beiro os 50. Li, assim como você, alguns livros que despertaram minha curiosidade sexual (Jorge Amado é mestre nisso), todos indicados pela escola. Por outro lado, não foi com meus pais que conversei sobre minhas dúvidas, anseios, não, não foi. Foi com a molecada da rua, com aqueles um pouco mais velhos, experientes aos nossos olhos. O que eles poderiam nos dizer? Pornografias, nada além de pornografias. Um professor poderia dar outro conteúdo a isso? Os professores poderiam "ler" o Jorge Amado do ponto de vista do erotismo? Naquela época, não. Nesta de agora, talvez ainda não, pois estamos sempre confusos sobre isso. Claro que é mais difícil falar de erotismo com quem, imaginamos, está aprendendo a lidar com as descobertas, têm mais ignorâncias e curiosidade do que tudo o mais.
Me perco. Pois o ponto central, eu acho, é: um professor não pode transitar nesse mundo do erotismo, que sempre aguçou a arte? Por que logo ele não poderia? Tenho dificuldade de entender isso.
Quanto a mim, bem, meus colegas de trabalho, por exemplo, compram meus livros e, aqui ou ali, discutem, questionam. Claro, isso não dura muito, já, já estamos de volta aos trabalhos, pois, ali, sou um trabalhador, que, por acaso, escreve literatura. Um professor é diferente disso? Com certeza é, mas continua sendo gente, continua sendo poeta, continua sendo alguém preparado para ensinar (para entrar numa escola de qualidade como a Escola Parque não deve ser uma tarefa fácil).
O que importa, todavia, é que, voltando ao início, estamos preocupados com nossos filhos. E continuaremos preocupados com eles.
Abraços, nessa altura desse nosso bate-papo. fraternais, pois já estamos num papo já de amigos.

Alexandre Brandão · Rio de Janeiro (RJ) · 14/10/2008 19:05
Juntando este papo fraterno do Biguá e do Alexandre (na condição de pais de alunos) e o dossiê passado lá em cima pelo Bruno, a polêmica toda me pareceu meio desconjuntada, faltando algumas partes para ser melhor compreendida e analisada.

Primeiro é o foribundo clima século 19, bem inusitado para os 'pais' genéricos', pertencentes a um meio social tão carregado de permissividades e hedonismos de toda ordem (o Orkut é só a ponta do iceberg, certo).

Segundo é esta tentativa 'caida' de justificar a discutível demissão do professor-poeta, desqualificando a sua obra ou o conteúdo ocasionalmente 'sexual' de sua temática.

Num meio juvenil de classe média onde sexo torto, drogas, pedofilia, corrupções de todos os tipos (país de ética zero) enrustidamente e à vista grossa campeiam, emoldurado pelo meio juvenil das 'baixas classes' miseráveis onde, do mesmo modo, a prostituição infantil ou pedofilia 'consentida' (meninos e meninas, as vezes de 8, 10 anos) as drogas e a fome de tudo, também campeiam, ficar urdindo intrigas para demitir um simples professor poeta que fez alguns poemas eróticos juvenis, é um pouco demais.

Das duas, uma: Ou esta galera de pais carolas nunca teve 15 anos ou está lendo Harey Potter demais da conta (sem perceber as entrelinhas).

Tem tanta coisa pior pra se extirpar, tanta gente, realmente, ruim pra demitir neste país...

Spírito



Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 18/10/2008 18:31
Não conheço a produção do professor em questão, certamente agora ele vai ficar bem mais conhecido...devia enviar uma nota de agradecimentos para a escola. Mesmo sem conhecer seus textos penso que foi uma estupidez da escola tomar esta atitude e os pais se iludem achando que afastando um professor por causa da sua 'ficção' estará protegendo seus filhos. Eu gostaria de saber o que os alunos acham disso tudo...

Lídia N · Curitiba (PR) · 19/10/2008 16:09
Muito interessante, Lídia N. Sem dúvida, os alunos a serem "protegidos" deveriam se manifestar, dar sua opinião ou visão sobre o assunto. Se eles são o motivo de tanta preocupação (justa) seria ótimo ouvi-los. Este pode ser o fio da meada.
Peço, por gentileza, que o sr. Ibitu Biguá, pai dos alunos da escola, chame a eles e seus colegas, e lhes desse a oportunidade de se expressar.
Estou curioso para saber o que eles pensam.

Alexandre Eduardo Weiss · Rio de Janeiro (RJ) · 24/10/2008 10:07
Alexandre Weiss,

Eu não ia mais voltar a esse assunto, mas como me foi feito um pedido direto...

Eu sou pai DE alunos, não sou pai DOS alunos da escola, é bem diferente. E não vou ficar chamando ninguém para nada, vê se pode. Quem sou eu para chamar filhos dos outros para falar de poesia erótica em fóruns na internet. Além disso não vejo porque é preciso dar oportunidade. A oportunidade já está dada. Se vocês quiserem mesmo saber o que eles pensam vão atrás dos ambientes onde eles já estão se expressando, Orkut, Youtube etc. Se essa polêmica interessar a eles, garanto que já existem opiniões por aí, em outros ambientes.

Quanto aos meus filhos que estudam lá, é diferente, eu posso responder. A mais nova tem apenas sete anos, nem sabe do que se trata tudo isso. O mais velho tem 12 anos e bastante liberdade para se expressar onde quiser, seja no Orkut, seja no Youtube. Ele tem conta até no Overmundo, onde já tentou publicar músicas de uma banda de amigos dele. Eu não tenho que dar nenhuma oportunidade adicional nesse sentido e procuro apenas estar próximo e orientá-lo dos riscos de se expor demais nesses ambientes públicos.

Se ele quiser, pode vir aqui, mas para falar a verdade, a minha impressão é que ele achou essa história divertida no sentido de ter descoberto uns poeminhas falando de pau e bucetinha, riu bastante com amigos numa certa noite lá em casa, mas não ficou nem um pouco mobilizado pela polêmica toda. Acho que ele não teria muito a acrescentar aqui não.

Para falar a verdade, eu mesmo acho que nem deveria ter falado nada desde o começo, pois esse tipo de debate geralmente descamba para agressões e alfinetadas que não seriam feitas pessoalmente. Depois da conversa cordial com o Alexandre Brandão, que me foi útil como tantas outras que tive sobre esse assunto no "mundo real" para perceber outras nuances sobre o tema, eu já fui chamado sutilmente de "pai genérico" hedonista e permissivo, iludido, que tenta "caídamente" e furibundamente instituir um clima século XIX urdindo intrigas. Pô, me descrevendo assim, até eu fico me achando um escroto.

Como eu procurei dizer antes, para mim é um assunto complexo, onde na teoria é muito fácil defender o direito de expressão e como é inofensivo o fato de alguém escrever o que quer que seja e dar aulas para jovens. Discursos libertários e convictos são sempre mais bonitos e empolgantes que expressões de dúvidas e temores. Não é a toa que o Nosso Guia tem tanta popularidade, ele tem certeza de tudo, sabe como resolver tudo. Na prática é um pouco diferente, mas como o que conta para a imensa maioria é a superficialidade, vamos acreditando na marola rezando para não tomar um caixote na cabeça.

Eu afirmei um pouco acima que
Nada pode proteger meus filhos do mundo. Eles fazem parte do mundo e parte do processo de amadurecer como pai é justamente entender que críamos os filhos para o mundo


Então eu não tenho a ilusão de que esse afastamento por si só protege meus filhos. Talvez proteja mais a figura simbólica que eu imagino que um professor deve representar, de alguém que projeta valores, que é confiável, que tem uma visão madura do mundo mas não é seu pai nem sua mãe.

O que eu argumentei é que na prática não é confortável saber que um professor da sua filha pode estar se inspirando nela para escrever o seu próximo poema sobre peitinhos, celulares vibrantes, linguadas e bucetas. Pode ser obscurantismo, pode ser furibundo, pode ser ilusão, pode ser medieval, mas é sincero.

Como debate intelectual, eu respeito e vou ler com atenção todas as opiniões que sejam expressas sobre esse assunto com argumentos lúcidos.

Sinceramente,

Rodrigo

Ibitu Biguá · Rio de Janeiro (RJ) · 24/10/2008 11:51

...'Para falar a verdade, eu mesmo acho que nem deveria ter falado nada desde o começo, pois esse tipo de debate geralmente descamba para agressões e alfinetadas que não seriam feitas pessoalmente. Depois da conversa cordial com o Alexandre Brandão, que me foi útil como tantas outras que tive sobre esse assunto no "mundo real" para perceber outras nuances sobre o tema, eu já fui chamado sutilmente de "pai genérico" hedonista e permissivo, iludido, que tenta "caídamente" e furibundamente instituir um clima século XIX urdindo intrigas. Pô, me descrevendo assim, até eu fico me achando um escroto...'

Só para esclarecer: Os adjetivos que usei e os quais o Biguá enfatiza chateado, foram para pais 'genéricos' mesmo. Nada de pessoal, de modo algum, pelo amor de Deus. Por isto usei o termo 'genérico', claro.

Abs

Abs,

Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 24/10/2008 12:35
Spírito,

espero que não seja mesmo pessoal, uma vez que nem nos conhecemos. Já batemos bola virtualmente, mas pessoalmente não nos conhecemos.

Mas, como eu sou o pai que fez a tolice de por a cara a tapa, acho bastante compreensível que eu me sinta representando os pais 'genéricos'.

Se eu fosse o Tylenol, e você falasse mal genericamente do Paracetamol, seria a mesma coisa.

Mas tudo bem, eu entendo que intenção não era me fazer um ataque direto, bola pra frente. Não pretendo mesmo transformar isso em uma guerra inflamada.



Ibitu Biguá · Rio de Janeiro (RJ) · 24/10/2008 13:04
Biguá,

Sem estender muito o papo, confirmo que não há mesmo nada de pessoal. É simples de explicar. Ocorre que, como você próprio se colocou de um lado da questão, seria impossível para mim, discordando do que aconteceu com o professor-poeta, opinar sem que, de algum modo, você estivesse incluído.
Claro que, individualmente, cada pai do grupo que provocou a demissão do cara tem lá as suas razões, mas, é claro também que os que se expuserem em foruns abertos como este, estarão sujeitos a opinões divergentes. Já nos termos esbarrado em outros foruns é um detalhe fora deste contexto.

Abraços e bola pra frente

Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 24/10/2008 19:06
Prezados partcipantes deste fórum,

Estou na casa dos 50. Tenho filhos de 10, 15 e 25 anos.

Desde pequeno me interessei pelo assunto sexo (como acho que todos tiveram suas curiosidades e dúvidas).
Fui aluno do Colégio Estadual André Maurois na década de 60. Para quem não sabe, nessa época a diretora da escola era Henriete Amado, que desenvolveu uma experiência pioneira no ensino de segundo grau. Lá, tínhamos aulas de educação sexual (alunos e alunas entre 11 e 15 anos), aulas de química em que fizemos experiências com ratos cobaias que "usavam" drogas, e verificamos, aterrorizados, o mal que isto lhes fazia; além do "espaço' que a diretora nos dava em sua sala.
Me lembro de uma vez em que resolvemos pintar a parede da sala de aula com nossas criações e isso gerou um rebuliço na escola. D. Henriete, como a chamáva-mos, alertada por professores assustados, foi assistir a nossa expressão de criatividade. Alguns professores de outras turmas também vieram, assim como vários alunos de outras salas. D. Henriete, com sua sabedoria e talento para lidar conosco, jovens cheios de sonhos e dúvidas, acompanhpu o trabalho até o final. A parede ficou linda, toda pintada. Sempre sorrindo, ela elogiou nosso trabalho, o que nos deixou satisfeitos. Porém, antes de sair da sala também nos disse: - Vocês irão agora mesmo pegar baldes, água, sabão e escovão, e deixar esta parede branca outra vez.
Seu lema era "liberdade com responsabilidade". para nós foi como uma ducha de água fria, mas depois, com o tempo, percebemos que certas regras devem ser obedecidas, ou estaríamos numa "terra sem lei" onde tudo é permitido, o que, evidentemente, compreendemos que não seria legal.
Ao final da década de 60, anos de censura e repressão, um novo chefe de segurança pública assumiu o cargo no Rio e soube que ela, nossa querida diretora (ela era uma unanimidade) tinha em seu poder uma lista de alunos que usavam drogas, com os quais ela desenvolvia um trabalho pioneiro de acompanhamento individual. O então policial ou autoridade, não lembro o nome dele, exigiu que ela lhe entregasse a lista dos alunos "viciados", o que ela, evidentemente, jamais faria. Foi afastada do cargo e a escola passou a ser apenas uma escola "comum". Quem se interessar pelo assunto pode procurar por "Uma Experiência Interrompida", de HENRIETTE AMADO E OUTROS, editora Lidador.
Minha visão daquele período em que tivemos a oportunidade especial de sermos alunos daquele colégio, dirigidos por uma pessoa com a mente bem a frente de seu tempo, é das coisas mais ricas que tenho em minha lembrança.
Acho que o assunto desta nossa conversa é muito interessante e é uma pena que ainda se tenha tão pouco espaço saudável e aberto para essas discussões e aprendizados entre os jovens de hoje.
As vezes tenho a sensação de que as escolas atuais estão meio sem rumo. O mundo está mudando tão rapidamente, com novas tecnologias, novos desafios, novas questões e as escolas, me parece, não sabem bem como acompanhar essa evolução disparada. Existem exceções, evidentemente. Mas eu sinto este desnorteamento no ar.
Fui professor de design na PUC e na Faculdade da Cidade, aqui no Rio, além de ajudar a fundar o curso de desenho industrial na UFPB, em Campina Grande, Paraíba, no início dos anos 80.
Tenho pela educação uma verdadeira reverência e acho que ela é a única chave para atravessarmos o portal desta nova era; se vamos conseguir ou não, não sei.

Essa crise toda, o problema ambiental, a superpopulação, bilhões de pessoas famintas e miseráveis. São um problema e tanto.
No entanto, considero que a questão sexual está ainda sob o tabu.
Acho que, quanto mais liberdade responsável de aprender sobre este tema as crianças e os jovens tiverem, melhor.

Na minha opinião a direção da Escola Parque errou.

Perderam uma chance muito boa de abordar com franqueza e sem hipocrisia este tema tão fundamental para todos nós, seres humanos.

É só dar uma olhada no que acontece em termos de repressão pelo mundo (Afeganistão com burcas, africanas com clitoridectomia, homofobismo, etc...) para se ver o que esta questão mal entendida pode provocar de estrago e sofrimentos na humanidade.

Abraços cordiais a todos os participantes deste fórum.
Torcendo par que a humanidade encontre um rumo bom e seguro para nosso futuro.

Alexandre Eduardo Weiss · Rio de Janeiro (RJ) · 25/10/2008 21:15
Alexandre,

Achei bacana demais a sua intervenção neste forum, a sua clareza e serenidade é coisa, realmente, rara em foruns polêmicos como este.
O mais legal pra mim é que conheci, de relance, já no início dos anos 70 esta boa fama do André Maurois, por ter tido um parceiro de lutas na esquerda, por intermédio de quem soube que muitos alunos deste colégio ingressaram na luta contra a ditadura.

Aproveito o ensejo para lhe indicar um post aqui mesmo do literal que tem muita relação com o que você nos narrou sobre o interessante musral do André.

Grande abraço



Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 25/10/2008 21:44
Spírito,

Seu trabalho, indicado no post acima, tem tudo a ver também com este papo aqui.

Parabéns.

Abraços

Alexandre Eduardo Weiss · Rio de Janeiro (RJ) · 25/10/2008 22:59
Não sei nem o que posso dizer. Nessa idade os jovens estão mergulhados de tensão sexual. Não será a leitura de livros com conteúdos heróticos que os fará mais estimulados. Pelo contrário, mostrará a eles que o herótico não é (só) aquilo que é exibido nas revistas de nú em em sites da internet, mas que pode ser beleza e aprendizado que faz crescer o espírito.Isso mostra que os pais não conhecem a seus filhos e a nova situação social na qual estão inseridos.

Nathanael Araujo · Campos dos Goytacazes (RJ) · 25/10/2008 23:28
Pois bem... A escola errou sim, mas não em demitir o professor nessas circunstâncias, pois ele realmente deveria tomar mais cuidado no que inclui no seu planejamento. Que eu sei, toda escola exige uma explicação sobre a função didática dos conteúdos. Daí pra frente cada professor se replaneja por sua conta e risco. Se a escola não lhe avisou dos riscos, a demissão do Martins foi muito injusta. Do contrário, o professor se fodeu bonitinho. Agora cá entre nós, se é assim, vamos banir os comerciais de cerveja com suas mensagens subliminares, vamos proibir o funk proibidão, vamos cortar a internet, a novela das oito (que começa às nove), o seriado malhação, os mangás hentais, vamos nos permitir encarcerar nossos filhos em casa por conta dos homens maus, enfadonhos, pedófilos, libertários que tentam em vão derrubar essa máscara de nossa sociedade hipócrita. Vamos doutrinar nossos filhos dizendo que sexo é feio, é pecado, machuca, nos torna pessoas más. Vamos caçar os vanguardistas que sexualizam a cultura, é isso, vamos voltar à idade das trevas e nos submetermos às vontades da igreja. Avançar tecnologicamente, enquanto humanamente nossa cultura é um retrocesso. Lamentável...

eliel · Santo André (SP) · 30/10/2008 01:21
Eu não tenho a menor dúvida que o professor, agora mais famoso, vai conseguir trabalho em outra escola e será, inclusive, talvez, mais comemorado por ser o pivô de uma polêmica que envolve cultura literária, censura, pornografia, erotismo, pedofilia, preconceito e por aí vai. Essa discussão, se quiserem, se alonga ao infinito. Eu gostaria de dizer que defendo os pais dos alunos, defendo o professor escritor e defendo a escola. Gente não podemos esquecer que vivemos num país democrático, capenga que seja, mas democrático. Dessa forma os pais podem escolher quem vai ser o professor dos seus filhos, a escola vai dizer se aceita a condição dos pais e o professor que escreve poesias eróticas decide
arcar com as consequências de uma atitude que ele sabe, vai causar polêmica. O professor sabe que pessoas irão concordar com ele e outras irão discordar. Alguns serão calmos e outros serão mais contundentes ou até violentos. Se o rpofessor escreve poesias usando termos chulos é claro que eu posso não gostar, posso achar inconveniente para dar aulas ao meu filho. Pessoalmente acho a literatura erótica, mais precisamente a poesia, com seus termos chulos, que não vou citar aqui porque não é nescessário, acho mesmo uma bobagem. Já ouvi muita gente boa falando e comentando drummond, com o maior entusiasmo e alegria, mas não vi ninguém falar das poesias eróticas que o nosso Carlos construiu. Acho até que ele se arrependeu. Isso não eleva o espírito. Observem pessoas de envergadura moral e espiritual acima da média, observem os grandes gênios... mas claro que tem os que fogem a regra, mas isso é periferia. Sim, eu defendo o professor, defendo os pais e tenho certeza que cada um achará o seu espaço para veicular o seu modo de vida. Aproveito ainda para pedir a todos que coloquem suas opiniões num tom mais fraternal, de quem quer mesmo ajudar a cultura,a educação. Uma conversa amorosa é muito mais elegante e proveitosa. Não adianta eu apontar para uma parede branca e aos berros tentar convencer que a parede é branca. A tendência é que o outro se sinta ofendido, melindrado, e esqueça a cor da parede para lembrar o tom com que me dirigi ao ouvinte. Impor uma idéia, mesmo que saudável, não vai convencer muita gente, mas falar brandamente fará com que o outro, pelo menos ouça e pense, mesmo que não concorde. Educar e produzir cultura tem que vir lastreado pelo amor e respeito ao próximo. Sem isso a sociedade sucumbi.
Desculpem-me os possíveis erros.
Muita luz a todos. MF.

Milton Filho · Ribeirópolis (SE) · 29/7/2009 23:43
Pelo argumento de que "li tais livros contendo muito sexo e violência ainda bastante novo e não acho que isso influencie em nada, mas não quero um professor desses para meus filhos", Drummond não ensinaria a seus filhos, nem Jorge Amado, nem muita gente.

Como o próprio Ibitu Biguá disse: "Não sou contra que jovens tenham acesso a literatura com sexo ou violência, e não acho que essa exposição possa causar danos a formação". Ora, você utilizou justamente o argumento correto, que inclusive desfaz toda a construção de sua argumentação. Do ponto de vista lógico, vemos algo falacioso. E falácia não é argumento. Pode ser sim máscara para algum tipo de preconceito que você até admite talvez possuir.

Um último ponto: Paulo Leminski era poeta, "cachorro louco" (segundo ele mesmo), bebia muito e lutava bem o judô (era faixa-preta). Ah, ele também era professor. Não de judô, mas de história e redação. E muito cotado, por sinal. Ainda bem que não pela Escola Parque.

Há tempos não ouvia falar em falso moralismo. Eis que ele volta à tona...

davioc03 · Albertina (MG) · 1/8/2009 12:59
A maioria destes alunos que foram protegidos do professor maligno frequentam raves e baladas e curtem vídeos de funk no youtube. Hipocrisia é a palavra-chave. As pessoas deveriam observar a pornografia produzida no Japão, e aí veriam o que produz uma cultura de hipocrisia e repressão. No Brasil só é reprimido quem busca um pouco de inteligência, pois estão aí na moda músicas cada vez mais idiotas e sexualizadas, e as adolescentes que não podem erotizar-se dançam-nas sem pudor.

Amâncio Siqueira · Garanhuns (PE) · 1/12/2009 01:11
Como alguns já haviam pedido, sou eu, um dos ex-alunos do ex-professor Oswaldo. Me lembro bem daquele ano. Muitas descobertas, de diversas características incluindo a sexualidade.
O grande problema do assunto que tratamos aqui são vocês, na minha simples opinião. Vocês adultos (sem ofensas) que tem que entender que o mundo muda e a cultura evolui e as coisas já não são como antes. A sexualidade hoje é muita mais aberta a nós, adolescentes e vocês nem imaginam o que uma criança de 10-11 já sabe sobre o assunto. Eu mesmo posso confirmar isso, pois já sabia de muita coisa que vocês só descobriram mais tarde. Isso, devido à Internet que é o meio que mais mudou essa geração que somos hoje.
O caso em questão que estamos discutindo é a demissão do Oswaldo. E acho que um professor que escrevia poemas eróticos não mudaria nada em relação ao imaginário sexual dos adolescentes ao que ele dava aula na minha escola pois nós já sabemos e muito sobre isso. A atitude dos pais que fizeram o dossiê "contra" o ex-professor, novamente, em minha opinião, foi simplesmente ignorante e protecionista além de conservacionista. Eles simplesmente não sabem o que os seus próprios filhos fazem ou ignoram e tentam dissimular como se eles ainda fossem os filhinhos de papai. Pois bem. Eu mesmo conheço as pessoas (não tão intimamente) que se ofenderam com os poemas de Oswaldo e acho que sinceramente elas confundiram tudo pois para esclarecer uma dúvida a vocês aqui vai:
Uma das garotas ofendidas se chamava "X" e um dos poemas de Oswaldo tinah o título "X" - mesmo nome da garota. Isso que começou a discussão que acabou causando tudo isso aqui.

Espero ter esclarecido vocês. Minha primeira vez que escrevo aqui. Sou estudante, 15 anos e estudo na Escola Parque. Abraços, YamiX - nome usado somente aqui.


YamiX · Rio de Janeiro (RJ) · 5/11/2010 20:10
caros, acabo de matricular meus filhos na escola parque em questao. sao novos, 2.5 e 4.5 anos. mas com certeza qualquer assunto ligado à metodologia da escola, polemicas etc me interessam. algum dos pais de alunos ou proprios alunos que participam daqui ouviram alguma polemica recentemente sobre uma professora / professor ter falado para um aluno sobre ele poder namorar com meninos ou meninas ou algo do tipo? ouvi esta historia recentemente quando falei que ia colocar meus filhos na escola, mas gostaria de saber se realmente houve algo parecido ou se sao simplesmente boatos?
atenciosamente,
cesar

cesar scarambone · Rio de Janeiro (RJ) · 2/2/2012 10:41
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