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Escritores contemporâneos, classificados de “chatos, herméticos e bestas"
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Em entrevista ao suplemento Porsa e Verso, o professor, jornalista e escritor Felipe Pena critica a “mercantilização do saber” nas faculdades privadas e o “hermetismo” dos escritores brasileiros contemporâneos, classificados de “chatos, herméticos e bestas”.

Você concorda com o professor?

Leia entrevista completa no blog do Prosa e Verso.


Ramon Mello · Araruama (RJ) · 6/10/2008 18:16
Discordo. Já li bastantes livros de autores contemporâneos que não pretendo passar adiante a sebos ou em trocas de livros justamente por achar que retornarei a l6e-los - dizem algo sobre minha geração.

Talvez o professor não esteja equipado para julgar "as novidades". Minhas condolências a ele e sua família.



Lee · 10/10/2008 13:06
Leia o artigo 'A Fogueira, as Vaidades', de Adriana Lisboa, sobre a polêmica - AQUI!

Ramon Mello · Araruama (RJ) · 13/10/2008 12:02
Bem... há quem ache Proust, Goethe, Faulkner herméticos. Alguns até arriscariam dizer chatos... E eles não são exatamente contemporâneos. Crítica é isso, cada um acha o que quer achar, de preferência com algum embasamento e com certa seriedade. Certa está a Adriana. Prá mim, o que vale é a pluralidade e a riqueza da atual literatura Brasileira. Isso é inegável. De resto, cabe ao leitor a escolha. Talvez o professor esteja fazendo as escolhas erradas...

Roberto Lima Borges · Rio de Janeiro (RJ) · 13/10/2008 16:41
A análise do Felipe Pena, a respeito do ensino superior, e sua crítica a este são precisas e poderiam ganhar uma discussão mais aprofundada.

O que ele fala da literatura acadêmica, a taxando de hermética e se referindo assim à linguagem que obedece mais aos anseios do autor que o elo entre sua obra e o leitor seja qual for, essa crítica já desgastada também procede, ok.

E, ao final, a proposta que ele faz, de uma escrita fácil e acessível a mais pessoas, sem perder em qualidade, é ótima. Nesse último, estou mais de acordo com ele que com a Adriana, pois considero que o autor não deveria objetivar escrever para o leitor que é, como ela afirma. É um ponto de vista, não tão simples de resumir, nem vou discutí-lo e expor agora. A questão, agora e ao meu ver, são duas.

Uma, o Felipe se excede jogando seu diagnóstico sobre a literatura brasileira contemporânea, simplificando sua crítica e tornando-se leviano ou um simples provocador irrelevante.

Outra, agora seria interessante ler seu livro pra vermos se ele conseguiu o que tantos buscam e falham miseravelmente, que é criar um "enredo fácil, ágil, com simplicidade e fluência ... acessível a uma parcela maior da população." Pois se isso é o que a literatura brasileira contemporânea deveria almejar, então ele deve ter conseguido em sua obra, certo?

Ou, isso aí não seria literatura, apenas ficção, já que ele mesmo diz que sua obra não faz parte da primeira categoria? Ou seja, impressão minha ou ele se encerra num paradoxo?

Enfim, dava pra continuar pensando o ponto de vista dele, mas vou parar por aqui :)

Denis Pedroso · São José dos Pinhais (PR) · 14/10/2008 10:40
A análise do Felipe Pena, a respeito do ensino superior, e sua crítica a este são precisas e poderiam ganhar uma discussão mais aprofundada.

O que ele fala da literatura acadêmica, a taxando de hermética e se referindo assim à linguagem que obedece mais aos anseios do autor que o elo entre sua obra e o leitor seja qual for, essa crítica já desgastada também procede, ok.

E, ao final, a proposta que ele faz, de uma escrita fácil e acessível a mais pessoas, sem perder em qualidade, é ótima. Nesse último, estou mais de acordo com ele que com a Adriana, pois considero que o autor não deveria objetivar escrever para o leitor que é, como ela afirma. É um ponto de vista, não tão simples de resumir, nem vou discutí-lo e expor agora. A questão, agora e ao meu ver, são duas.

Uma, o Felipe se excede jogando seu diagnóstico sobre a literatura brasileira contemporânea, simplificando sua crítica e tornando-se leviano ou um simples provocador irrelevante.

Outra, agora seria interessante ler seu livro pra vermos se ele conseguiu o que tantos buscam e falham miseravelmente, que é criar um "enredo fácil, ágil, com simplicidade e fluência ... acessível a uma parcela maior da população." Pois se isso é o que a literatura brasileira contemporânea deveria almejar, então ele deve ter conseguido em sua obra, certo?

Ou, isso aí não seria literatura, apenas ficção, já que ele mesmo diz que sua obra não faz parte da primeira categoria? Ou seja, impressão minha ou ele se encerra num paradoxo?

Enfim, dava pra continuar pensando o ponto de vista dele, mas vou parar por aqui :)


João Athayde · Londrina (PR) · 18/10/2008 09:35
O professor Felipe Pena só está procurando uma banca para vender seu peixe. Parece que conseguiu.

João Athayde · Londrina (PR) · 18/10/2008 09:37
É claro que há os chatinhos, mas há também escritores excelentes, inclusive alguns excelentes e chatos. A literatura precisa de tudo e de todos....não é por isso que brasileiro não lê, duvido muito. Não porque não lê, há muitas outras opções além dos 'supostos chatos' de que fala o professor, há produções para todos os gostos e, se não houver de autores brasileiros há os estrangeiros traduzidos.

Lídia N · Curitiba (PR) · 19/10/2008 16:06
O professor Felipe Pena só está procurando uma banca para vender seu peixe. Parece que conseguiu.


Não, não está. E também não, ele não conseguiu. A discussão é mais interessante que seu "peixe". Vamos a ela.

Denis Pedroso · São José dos Pinhais (PR) · 19/10/2008 19:48
Dia 18, e publicado hoje aqui, saiu uma réplica de Felipe Pena ao texto da Adriana Lisboa.

http://portalliteral.terra.com.br/artigos/generalizacoes-nao-levianas-por-felipe-pena

Denis Pedroso · São José dos Pinhais (PR) · 20/10/2008 22:11
Apelação pura de Felipe Pena. lembrou-me em muito polêmica recente que Alcir Pécora tentou levantar. E acabou por falhar; seu texto, como o de Pena, era uma crítica preguiçosa, e isso não passou despercebido pelos leitores, especialmente aqueles que acompanham atentamente a produção de nova literatura.

Nelly · Rio de Janeiro (RJ) · 24/10/2008 15:52
Diz Felipe Pena: "A literatura brasileira contemporânea tem poucos autores dispostos a contar uma boa história, sem a preocupação de produzir experimentalismos e jogos de linguagem, mas eles convivem com o receio de serem arbitrariamente rotulados como superficiais."

Literatura sempre foi, a meu ver, um jogo de linguagem. Se não fosse isso jamais teriamos tido o modernismo, o concretismo e tantos outros movimentos que usaram da linguagem para mudar o cenário e desenvolver o novo!

Ainda Pena: "Precisamos criar espaço para uma ficção que não seja nem erudita nem best seller, cuja narrativa percorra uma espécie de caminho do meio, tão importante para a formação de leitores assíduos e freqüentes no país."

Qual o problema dos best sellers? Eles são de linguagem fácil, contam histórias simples e atraem muitos leitores. São best sellers principalmente porque vendem muito (e não porque são pobres de conteúdo). Está meio contraditório com o que ele disse anteriormente.

E ainda: "Apesar da tão apregoada diversidade da prosa nacional, a crítica acadêmica dividiu-a em pólos antagônicos. Quem não é moderninho, é superficial. E ponto final. Essa é a generalização leviana da nossa literatura. É ela que produz distorções, afasta leitores e joga sua névoa sobre o mundo literário."

Acredito que há muita modernidade superficial e superficial modernidade na literatura. Essa fala causou certo disturbio com o ambiente em que ele se propos estar/defender. Falhou na hora de querer mandar o recado, seja ele qual for.

O que penso é que cada um é livre para escolher o que quiser ler. Se a atual literatura está ruim, que se procure a "antiga" literatura, ou que se busque no estrangeiro. Ou ainda que se procure entender a proposta.

Todo escritor reproduz um pouco do seu tempo. Se a literatura está hermética é porque precisa-se estar mais centrado para que se possa entendê-la.

Tudo muda.O mundo é formado de ciclos.

Agora não troco um livro dificil por um livro fácil. Fácil para quem? Para a realidade do país, com seus analfabetos funcionais? Fácil para aqueles que não se esforçam em tentar entender o complexo, se estabelecendo apenas no fácil (que, nesse caso, pode ser o superficial)? Propor o fácil a fim de ganhar mais leitores pode ser comparado a oferecer um cimento mais barato para se economizar sem pensar nos problemas futuros.

Facilitar demais pode acabar fazendo com que paremos de desenvolver o pensamento no seu mais alto e aprofundado grau!

Nathanael Araujo · Cachoeiro de Itapemirim (ES) · 26/10/2008 01:45
Concordo com a afirmação, lembrando que toda regra tem sua exceção.
"Os escritores brasileiros contemporâneos, classificados de “chatos, herméticos e bestas”.

rs... sei que é clichê, mas é a verdade.

Rosangela Primo · Fortaleza (CE) · 3/11/2008 13:06
Falta sim humildade e criatividade. Outrossim, a crítica levantada nessa seara remete à seara mais próxima da realidade. Concordo que dentro das Instituições de Ensino Privado, o que Felipe Pena tenta mostrar é algo muito sério em relação ao ensino e seus mecanismos que privilegiam apenas ao capital. Também costumo dizer que existem os "doutores e suas doutorices" que não passam de "papagaios de piratas" meros repetidores de conceitos insustentáveis, insubstanciais! Na graduação, somos limitados a mero reprodutores de ensino, e não é visto tampouco ensinado ao aluno, a produção de saberes, isso sim é revoltante!

Lee Schuster · Curitiba (PR) · 9/11/2008 13:04
Quando um crítico literário - cientista da literatura? - diz "chatos, herméticos e bestas" está usando três adjetivos do campo semântico puramente sensorial, de um juízo de gosto, o qual, desde sempre, não se discute. Quem ousaria argumentar comigo se eu dissesse, exempli gratia, que não ingiro feijão porque seu gosto não me agrada? Se ele ACHA que os autores são "chatos, herméticos e bestas", (ACHA = ACHISMO?) ele que "argumente", com a mesma parafernália técnica de que eu desejaria dispor para argumentar que O GOSTO do feijão - ó Deus dos Deuses! - simplesmente não me agrada. Não é gostoso! Não é não. Simples assim. Cada um tem o paladar onde pode, não exatamente onde quer... Professor é professor, né, gente?! Respeite o gosto de não gostar com a mesma veemência com que você se daria ao respeito se desgostasse. Entenderam? Nem eu. Mas literatura é para isso mesmo: lenha nas labaredas do pensamento. Já é muito, no mundo enlatado de hoje, em que o mesmo verbo CAN do hermético idioma de Shakespeare quer dizer - PODER & ENLATAR... Ó Ironia! Ironia? Ironia.

Marcelo Moraes Caetano · Rio de Janeiro (RJ) · 21/11/2008 20:36
Os contemporâneos todos?
Uau!
Conheço nem um décimo da quinta parte e o mestre sapeca todos.
Generalizar é erro.
Também partilho das posições das pessoas que falaram da falta de profundidade na crítica que pareceu ficar no gostar por gostar, achar por achar.

Adroaldo Bauer · Porto Alegre (RS) · 30/12/2008 23:37
concordo sobre a formalização do saber, é feita da experiência.

penso que merece destaque o escritor "intelectualóide": vaidoso, se perde nos excessos, e não diz, não significa. está preocupado com o status, com a imagem, e não afinado com a expressão de sua verdade.

os mais chatos, ao meu ver, são esses. são eles também os mais herméticos, fechados em si mesmos, longe de serem compreendidos.

e a escrita boa é a escrita viva, em que caminham juntos o conteúdo e a forma. caso contrário, não seria literatura.



Fernanda Franco · São Paulo (SP) · 13/1/2009 13:09
a melhor coisa disso tudo é que estamos discutindo a literatura de gente viva.
ou seja, muitos não se contentam mais com os clássicos que, apesar de maravilhosos e sempre fonte de inspiração, às vezes, e friso o às vezes, deixam de dizer ao mundo atual do leitor.
votos de que continuemos com essa fome voraz.

ah, de minha parte, penso que na literatura brasileira contemporânea, há trabalhos em boa quantidade que, apresentando grande qualidade, não deixam de se comunicar com o leitor possível. Interessantes e acessíveis são "Vésperas" de Adriana Lisboa, "Juízo" de João Ximenes Braga, "Vibratio", de Catarina Pereira, entre outros exemplos, cada qual a sua maneira.

Leonardo Villa-Forte · Rio de Janeiro (RJ) · 27/1/2009 23:11
Devemos ter cuidado ao caracterizar as produções atuais de "nova literatura". O que está sendo publicado não define nenhum tendência literária específica, não caracteriza uma geração e muito menos revisa ou instala valores culturais ou intelectuais.

Claro que há bons escritores atualmente. Acredito, contudo, que o Felipe - assim como mais e mais críticos - estão preocupados em relevar o prejuízo cultural dessa massa de publicações oriundas da mentalidade de que literatura, agora, também é consumo.

Natalix · Novo Hamburgo (RS) · 11/2/2009 08:24
Em entrevista ao suplemento Porsa e Verso, o professor, jornalista e escritor Felipe Pena critica a “mercantilização do saber” nas faculdades privadas e o “hermetismo” dos escritores brasileiros contemporâneos, classificados de “chatos, herméticos e bestas”.

Você concorda com o professor?

Leia entrevista comptela no blog do Prosa e Verso.


De início, penso que ele generalizou... Defendo a literatura como uma arte. Em outros tempos, ninguém entendia Augusto dos Anjos, quando liam seus versos decassílabos, hoje ele é consagrado por sua obra. Eu não sei até onde vai a definição de chatos, herméticos e bestas para o sr Felipe Pena, mesmo porque, no meu entender, quem está sendo chato é ele mesmo, incluindo todos os escritores contemporâneos nisso, sem dar nome aos "bois". Cada um sabe onde o seu calo aperta. Será inveja?! Será???

Helen De Rose · Sorocaba (SP) · 12/5/2009 13:23
Literatura é Manufatura. E afirmo que quem quer aparecer diz mais para ser discutido do que para ser concordado.

Hiago · São Paulo (SP) · 22/5/2009 17:18
Eu não sou chato, hermético e besta...hauahuahau

Brincadeiras à parte, cada um com sua opinião. Tem muita gente boa por aí.

Scheibler · Santa Cruz do Sul (RS) · 9/6/2009 17:02
Esta discussão toda me lembra o quiproquó entre o Luiz Ruffato e acho que o Cristóvão Tezza, no qual o primeiro acusava o outro de não fazer uma literatura que tivesse como cerne a própria vida, mas sim uma literatura que estava afundada em jogos metalinguísticos e experimentalismos.
Por exemplo, adoro Paul Auster mas confesso que estou enjoado de ler mais um livro dele que gira em torno da vida de escritores, críticos, ou alguém com pretensões literárias. Voltando para o Brasil, sou admirador da obra ainda miúda do Daniel Galera, mas se ele fizer outro livro em torno de alguém que faz literatura ou estudou Letras, vou me sentir não saindo do lugar. Contudo, existe sim um sem-número de escritores brazucas que escrevem livros excelentes, sem ficarem na superficialidade e ao mesmo tempo sem se fecharem em obras ilegíveis. Tomo como exemplos o Marcelo Mirisola, Milton Hatoum, Gustavo Bernardo e, por que não, Cristóvão Tezza (nomes femininos me fogem agora).
Diferente do professor Felipe Pena, acho que nossa literatura tem usado e abusado muito bem da nossa geração blogueira, da leitura vertical e tem feito um retrato muito fiel (e diga-se de passagem, literário!!!) das nossas relações e formas de ver o mundo. Acho que conseguem sim a universalidade, me sinto humano lendo esses caras.
Talvez nossos críticos e acadêmicos vistam ainda a camisa de que nosso país é provinciano e merece permanecer atrás nas vanguardas artísticas, se é que se pode falar de "avant garde" hoje em dia...

Caetano · Rio de Janeiro (RJ) · 28/7/2009 11:41
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