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Paloma Vidal em algum lugar
Felipe Pontes, Rio de Janeiro (RJ) · 22/3/2010 · nenhum
Divulgação
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Capa de Algum Lugar

Os cenários são bem definidos: Los Angeles - Rio de Janeiro - Los Angeles. Ainda assim, o título sugere algum lugar, qualquer lugar. A busca da protagonista é por narrar o que faz dos pontos de chegada um mundo particular de estranhamento, a ser incorporado aos poucos. Quem mudou de cidade já passou por isso. É um cheiro no ar, os detalhes de uma paisagem alheia, os signos de um novo código, absorvidos na medida da familiarização no novo espaço, no ritmo paulatino da formação do novo mapa mental, no sumiço gradual da sensação mesma de estar viajando.

Em Algum lugar (7letras), seu primeiro romance, Paloma Vidal tenta capturar essa especificidade universal dos lugares, exaltada pelo deslocamento rumo ao desconhecido, e "L.A. é um lugar muito particular, que se presta especialmente a uma desterritorialização, sem marcas, difícil de se identificar, não é um lugar em que você se sinta em casa", explica ela sobre a cidade onde morou em 2003. Naquele mesmo ano iniciou as anotações no blog "Quem tem asas?", transformadas posteriormente em crônica publicada na revista Grumo e agora resultantes no romance, lançado em dezembro de 2009, com o incentivo de uma bolsa de criação literária concedida pela Petrobrás.

Narrado ora em primeira, ora em segunda ou terceira pessoas, Algum lugar (7Letras) parte da mudança de um casal do Rio de Janeiro para Los Angeles para explorar a ruína de expectativas fantasiosas, o receio de novas e velhas relações, o significado de novos sonhos e as dificuldades em exercer uma nova rotina.

Professora de teoria literária na Universidade Federal de São Paulo, Paloma possui os estudos acadêmicos e a obra ficcional centrados nesse tema do exílio, do desterramento. "Qual o sentido dessa experiência da viagem na literatura? A noção bastante básica de que quando você viaja, adquire uma experiência que motiva a escrita?", indaga. Nascida na Argentina, veio para o Brasil ainda na primeira infância, razão pela qual esclarece que Algum lugar (7Letras) não poderia tratar de uma nostalgia em relação a uma pátria-mãe, "não é um livro que fale da desadaptação entre um lugar idealizado, a nação que você deixa, e o lugar novo", que não se encaixa no ideal. "Pelo contrário, pois é uma sensação que nunca tive", justo por haver crescido nesse 'entre pátrias', nem totalmente argentina, nem brasileira, livre, portanto, como sugere seu próprio nome (Paloma significa pomba em espanhol).

Liberdade essa bem tratada por ela nos livros de ficção anteriores, duas coletâneas de contos: A duas mãos (7Letras, 2003) e Mais ao Sul (Lingua Geral, 2008). Ambos compostos com a calma de uma escrita sem grandes alardes emocionais, mesmo que repleta de pequenos dramas diários, característica também do novo romance.

De forma mais explícita, o exílio foi bem estudado por Paloma em A história em seus restos (Annablume), onde introduz ao leitor brasileiro um corpus de escritoras contemporâneas do Cone Sul cuja obra possui na imposição do exílio pelos períodos ditatoriais a condição criativa: a uruguaia Cristina Peri Rossi e as argentinas Marta Taba, Luisa Valenzuela e Tununa Mercado.

Dessa 'entre pátrias' surgiu também outro projeto interessante, a revista Grumo, concebida em 2002 como uma publicação sobre literatura argentina e brasileira em parceria com o argentino Mario Cámara, titular da cátedra de Literatura brasileira e portuguesa da Universidade de Buenos Aires. Hoje, completam o conselho editorial Paula Siganevich, também do departamento de letras da UBA e Diana Klinger, professora de teoria literária da Universidade Federal Fluminense. Apesar de estarem todos bastante envolvidos com o universo acadêmico, a revista não se restringe a esse tipo de discurso, "fica dentro e fora ao mesmo tempo". A Grumo busca promover o diálogo entre culturas latino-americanas, pelo viés do ensaio, da crônica e da poesia, numa abordagem livre e interdisciplinar, envolvendo também reflexões sobre cinema e artes-plásticas.

"Acho isso interessante, como um livro vai puxando o outro, sempre fica alguma questão aberta", diz Paloma, com a mesma suavidade pela qual sua prosa é conhecida, quando pergunto sobre os novos projetos. De Algum Lugar (7Letras) ficou em aberto o tema "das amizades truncadas", mote tanto da peça que desenvolve neste momento, dentro do núcleo de dramaturgia do SESI de São Paulo, inspirada na relação conturbada entre o avô tradutor e jornalista e Julio Cortázar, quanto de um novo romance, ainda em fase inicial.

Promoção

Presentearemos um exemplar do livro aos quatro primeiros que enviarem ao redação@literal.com.br a hora exata de chegada do vôo da protagonista de Algum Lugar (7Letras) a Los Angeles.

>Leia entrevista concedida em 2008 por Paloma Vidal ao blog Click in Verso.

>Leia as primeiras páginas de Algum Lugar (7Letras) aqui.





tags: literatura paloma-vidal romance 7letras exilio literatura-latino-americana conto revista-grumo grumo argentina los-angeles rio-de-janeiro lancamento


 
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