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Capa de Alameda Santos
Capa de Hotel Novo Mundo
As fitas já existiam. Ivana as havia gravado e sabia que aquilo poderia dar em alguma coisa. Deram em
Alameda Santos (Iluminuras), com lançamento marcado para o dia 9 de março na Livraria da Vila, em São Paulo. O livro é o segundo romance de Ivana Arruda Leite, já conhecida pela prosa curta de livros como
Falo de Mulher (Ateliê Editorial) e
Eu te darei o céu e outras promessas dos anos 60 (Editora 34), sem falar na presença em dezenas de coletâneas de contos no Brasil e fora, como a
25 mulheres que fazem a literatura hoje (Record), organizada por Luiz Ruffato em 2004.
Um livro para ser ouvido, já nos alerta a sinopse,
Alameda Santos (Iluminuras) é narrado por uma mulher de trinta e poucos anos, desquitada, que passa a amarga semana entre o natal e o
reveillon conversando consigo mesma sobre os acontecimentos do ano para um gravador, enquanto se embebeda e devaneia o suicídio por amores não correspondidos. "O conteúdo não é o mesmo e não foram feitas tantas, mas as fitas existiram sim, eu as gravei e sabia que elas davam em alguma coisa, por isso resolvi fazer o projeto do livro". Ou seja, a obra acaba sendo em parte autobiográfica, admite Ivana.
As gravações, no livro, ocorrem entre os anos de 1984 e 1992, período da conturbação política e transição para a democracia que todos lembramos, "pré-aids, pós-Malu Mulher, a protagonista vive como pinto no lixo, se divertindo muito", explica Ivana, "muita coisa no livro existiu, bares - como o
Pirandello -, lugares. Houve também as Diretas Já, passeio pelo país dessa época", fala Ivana sobre o cenário. Cada capítulo é um ano. "Eu gosto dessa
coisa cronológica, de me situar assim".
Uma mulher que de tão solitária procura companhia no registro da própria voz pode parecer um mote exagerado, trágico, mas quem leu
Hotel Novo Mundo (Editora 34), primeiro romance de Ivana, conhece o poder de auto-ironia da escritora. Num tom confessional, transparente como a própria Ivana sabe ser em seu
blog, o componente humor, quase sempre do tipo negro, constantemente nos leva ao riso, mesmo diante de dramas como chifres, mortes e separações.
Certamente vai além disso, mas nem a própria Ivana nega que a sua literatura fala mesmo é do universo feminino, naquele clima de conversa entre melhores amigas, que riem alto e mudam de assunto quando alguém se aproxima. "Talvez por isso eu tenha tanto leitores e fãs homens", comenta.
"Detesto conversar com estranhos, todo mundo sabe disso, menos esse cara que sentou do meu lado".
Assim começa
Hotel Novo Mundo (Editora 34), obra escrita com o apoio de uma bolsa de incentivo à criação literária concedida pelo Programa Petrobrás Cultural. O livro conta a história de um recomeço. O movimento improvável de retorno de uma paulista à sua cidade natal, trocando luxos em uma cobertura a beira-mar no Rio de Janeiro por uma espelunca no bairro de Campos Elísios, em São Paulo.
Abaixo um parágrafo do recém-lançado
Alameda Santos (Iluminuras), por sua vez concebido com o incentivo da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, por meio de Projeto de Ação Cultural:
"Meu sonho é encontrar um homem que me ame do jeito que eu sou. Aliás, que me ame justamente por eu ser do jeito que sou. Um cara que veja as minhas loucuras, as minhas inseguranças, as minhas neuroses e diga: 'Era você mesmo que eu queria. Era por você que eu tava esperando'. Essa fita vai pra você, meu amor, que vai chegar um dia, tenho certeza. Aí, no desespero, eu saio pegando o primeiro que aparece. Vou inventando que o meu príncipe encantado é o Eduardo, o Charles, o Miro, o Pedro, o Guto, o Tony, o Zé das Couves. Claro que não é nenhum desses. Tô careca de saber. Mas pra quem tá se afogando, qualquer aceno é aceno, qualquer tábua é a de salvação. Infelizmente, as tábuas onde eu me agarro são podres e mal aguentam a si próprias. Imagina uma mulher que pesa duas toneladas nas costas de um homem".
>Leia mais sobre Hotel Novo Mundo (Editora 34) no Jornal do Brasil e em O Estado de São Paulo.
>Saiba mais sobre o lançamento de Alameda Santos (Iluminuras) aqui.
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