... Sem conversar sobre sua própria morte com o Diabo, nem acometido de uma cegueira repentina e branca.
Segundo a família, José Saramago morreu de "múltipla falha orgânica, após uma prolongada doença". E se despediu de forma "serena e tranquila". Ele mesmo, é possível imaginar, diria "morri de velho".
De fato, de pouco importa se seu Nobel de 1998 pôs o português no mapa literário do mundo, e importa apenas até certo ponto seu comunismo impedernido, manifestação da mesma ética dura que movia sua prosa rica. O que fica de Saramago são os livros. Se é possível debater a qualidade de cada um, é difícil debater a relevância literária da obra.
Obituários e homenagens na
Folha,
O Globo,
New York Times,
The Guardian,
Público,
G1,
Cronópios,
El País.
Duas homenagens se destacam: o
íntimo relato de seu editor no Brasil, Luiz Schwarcz, e a
eloquência curta do Senhor Palomar, dos mais importantes blogueiros literários de Portugal.
Anos atrás, a revista do New York Times produziu um dos melhores
perfis de Saramago. Quanto à sua relação com deus (sempre em minúscula) e a morte, difícil encontrar maior clareza que a registrada
nessa conversa com Juan José Tamayo.
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