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A destruição de livros no Brasil
Portal Literal 2.0, Rio de Janeiro (RJ) · 27/4/2010 · 1
Divulgação
Há um mês e meio escrevemos um post sobre a polêmica a respeito da destruição de livros em Portugal. O episódio envolvia o maior grupo editorial do mundo lusófono (Leya) e pôs em discussão a eliminação de livros não vendidos. Na ocasião, perguntamos então se alguém já havia ouvido falar em prática semelhante ocorrida no Brasil.

A primeira resposta veio por meio de um email do maior grupo editorial brasileiro, o grupo Ediouro, enviado a livreiros em diversos estados brasileiros. Devido à mudanças no esquema de consignação e distribuição dos livros das seis editoras do grupo (Agir, Nova Fronteira, Thomas Nelson, Pixel Midia, Desiderata e Ediouro Livros), a empresa recomendou aos livreiros que devolvessem apenas a capa, quarta capa e ficha catalográfica dos volumes não vendidos, descartando o miolo das obras, como opção para a diminuição do custo de frete. A alternativa seria comprar o encalhe com desconto de 60%. As orientações ainda vinham acompanhadas por uma lista de obras a serem descartadas, a qual íncluia diversos títulos de literatura nacional e estrangeira.

Uma semana após o anúncio a Ediouro resolveu voltar atrás, "diante das manifestações bem embasadas e relevantes de alguns livreiros e com o objetivo de evitar a destruição de livros em um país carente de acesso à leitura". A empresa resolveu então aumentar o desconto para 80% para os livreiros dispostos a comprar os livros não vendidos e estuda também meios de doar o encalhe.

Ao contrário do que pensa o senso comum, a doação de livros pode ser nociva ao mercado editorial, desequilibrando a oferta e demanda por novos exemplares. Em entrevista para o jornal O Globo, o diretor da Livraria Travessa Rui Campos chega a dizer que "às vezes as pessoas fazem uma defesa da gratuidade de um modo hipócrita, como forma de marketing pessoal". Contudo, livros não são apenas mercadorias e possuem valores culturais intrínsecos que complicam a questão. Na mesma matéria, a proprietária da livraria Leonardo Da Vinci, no Centro do Rio de Janeiro, Milena Duchiade, explica que "num lugar onde há uma rede forte de livrarias independentes, como a França, o encalhe é na verdade estoque, porque há sempre alternativas de venda".

Ironicamente, a Ediouro é responsável por editar o livro A história da destruição de livros, estudo de doze anos feito pelo venezuelano Fernando Báez, no qual inclui as próprias editoras como uma ameaça. E com razão.



tags: jornalismo-midia livro livros estoque mercado-editorial preservacao armazenamento brasil ediouro encalhe estupidez


 
A Ediouro teve o bom senso de voltar atrásBelo exemplo a ser seguido.Abs.André.

andre albuquerque · Recife (PE) · 27/4/2010 22:53
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