Betusko
Na decolagem, os pés já estavam dormentes, as asas se debatiam num feroz farfalhar, não fosse assim, a alma não se desprenderia, nem o deleite em ver as casinhas caiadas, pequeninas pérolas incrustadas ao longo da beira mar, ou o pressentir do balé dos querubins no corredor tomado por ansiedades, valeria a peleja por manter a sanidade mental no lugar em que deveria estar, centrada no mais alto domínio como um yogue tranquilo e sereno em meio ao vapor improvável dos gélidos picos do Himalaia, entoando um mantra que remetia ao mergulho profundo no limiar das vicissitudes de um coração cigano, cujo compasso de ataque, avança num ritmado 2x4 sincopado, porém, opaco, sem o brilho dos primeiros anos, sem a crista altaneira do galo de briga, mas com a arremetida certeira da águia real em busca da presa, a dois mil metros de altura, num mergulho soberbo e implacável, sem resvalar, por um segundo que seja, nas copas das árvores, tampouco nas gotas gordas da chuva que descem obliquas e dissimuladas como os olhos daquela personagem famosa que povoa de maneira sutil, .... (continua)
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