Cá estou embriagado de verde e suspenso no azul celeste que invade todas as manhãs o meu quarto infestado de palavras. Muitas antigas, umas tantas rebeldes e outras fantásticas como uma ilha perdida ou uma cidade do sol.
Muitas histórias que não escrevi, mas gostaria de Tê-las escrito. A noite fria sob um barco velho na beira do rio, os corpos solidários, o belo nascendo do feio, o particular ampliando-se nas paixões comuns a todos e em todos os lugares.
Viajo solitárias léguas num caminho sem fim para esperar numa estação o meu trem expresso. Sem pão e tostão, vagando no universo das minhas fantasias onde cidades se erguem após as colinas e se estendem pelos campos com seus campanários e edifícios alvos refletindo a luz calma das manhãs.
Admirável é a aurora que se anuncia ainda na torpeza do dia, assim como escolho a leitura na minha estante pela antevisão que o conhecimento da obra me permite.
Eu reconheço as palavras que injetei nas veias e entranharam-se em mim, em cada célula, em cada átomo que agora, aos poucos, vão revelando os processos e eu posso lê-los.
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