Não sentiu qual era o peso da vida!
Entre a ideia e a realidade,
o porta-novas enquadrado
no selo do salário.
Saltou do papel. Queimado!
- a noticia não existe, cria-se! -
Amortecido pela telha nova. Que não deu resultado.
Pensou que noticiava,
noticiando a noticia.
Arquivou-se num jardim,
onde a noticia jorra. Dia e noite,
floresce, se multiplica; e se assassina
numa revolução de catadupa.
Mas não vende!
O redactor morre todos os dias, recolhe-se, destroça-se, infecta-se, colhe-se e semeia-se, enforca-se.
Apenas para que a noticia não morra antes de si.
Quer a noticia que não lhe pertence.
Aconteça!...
Mas nem sempre é assim.
O dominador avalia a razão do papel vendido. Calcula o lucro e a exasperação.
Ele sabe que não informa.
Mas humedece o tempo. Enviando toneladas de papel que o povo bebe.
Chama a árvore,
esturra o tempo que não lhe obedece,
catapulta o erro até os infernos,
mais que iniciais.
O que quer é vender jornais...
Tão seco é este,
que passa despercebido na sua própria razão.
Não chora a censura da esposa,
nem a exigência da casta.
Olha assinatura que pende da árvore
e desce como a cobra na procura
do laço.
Dorme agora entre as folhas que comia no quotidiano.
Cadastros quentes,
com resenhas,
que o mijo da manhã altera!
Ninguém sabe ler.
a folha obliterada
Alguém grita a noticia
antes do tempo.
As folhas húmidas sem assinatura
descem do templo do padroeiro
em chuva historiógrafa.
Tão lenta; e tão, seguramente, que não sente
O suor de então.
[a folha.
A força da instituição que lhe aperta o gargalo
da razão.
Come-lhe a inteligência.
O laço do escrivão. (jornalista)
Theófilo de Amarante
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