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Noticia fria - doc
 
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theodeamarante, Portugal · 27/7/2009 · 75 votos · 10

Não sentiu qual era o peso da vida!
Entre a ideia e a realidade,
o porta-novas enquadrado
no selo do salário.

Saltou do papel. Queimado!
- a noticia não existe, cria-se! -
Amortecido pela telha nova. Que não deu resultado.
Pensou que noticiava,
noticiando a noticia.

Arquivou-se num jardim,
onde a noticia jorra. Dia e noite,
floresce, se multiplica; e se assassina
numa revolução de catadupa.
Mas não vende!

O redactor morre todos os dias, recolhe-se, destroça-se, infecta-se, colhe-se e semeia-se, enforca-se.
Apenas para que a noticia não morra antes de si.
Quer a noticia que não lhe pertence.
Aconteça!...

Mas nem sempre é assim.
O dominador avalia a razão do papel vendido. Calcula o lucro e a exasperação.
Ele sabe que não informa.
Mas humedece o tempo. Enviando toneladas de papel que o povo bebe.
Chama a árvore,
esturra o tempo que não lhe obedece,
catapulta o erro até os infernos,
mais que iniciais.
O que quer é vender jornais...

Tão seco é este,
que passa despercebido na sua própria razão.

Não chora a censura da esposa,
nem a exigência da casta.
Olha assinatura que pende da árvore
e desce como a cobra na procura
do laço.

Dorme agora entre as folhas que comia no quotidiano.
Cadastros quentes,
com resenhas,
que o mijo da manhã altera!
Ninguém sabe ler.
a folha obliterada

Alguém grita a noticia
antes do tempo.
As folhas húmidas sem assinatura
descem do templo do padroeiro
em chuva historiógrafa.
Tão lenta; e tão, seguramente, que não sente
O suor de então.
[a folha.
A força da instituição que lhe aperta o gargalo
da razão.
Come-lhe a inteligência.

O laço do escrivão. (jornalista)


Theófilo de Amarante

tags: Portugal literatura


  Arquivo Word - 28 Kb

downloads: 198
Autoria:
Theófilo de Amarante

Ficha Técnica:
Não sentiu qual era o peso da vida!
Entre a ideia e a realidade,
o porta-novas enquadrado
no selo do salário.


 
Aqui no Brasil, a noticia e' comprada, deturpada, o redator aqui e' um escriba dos interesses daqueles que querem se perpetuar no poder. A noticia e' vendida bem como os que a geram... A imprensa do Brasil não gera mais noticias, pois usa preservativos...

victorvapf · Belo Horizonte (MG) · 25/7/2009 15:57
Victor, tens uma leitura bem analítica, por entre alegorias e outras metáforas ou entrelinhas, eu queria relactar factos jornalisticos mais ou menos distrocidos, ou então: cozinhados no ninho dum grande redactor, ou mandão do papel... sigue o monopólio no Brasil.... encontrarás a receita.

obrigado

abraços

Theo

theodeamarante · Portugal · 25/7/2009 23:53
Texto que fala a realidade do que seja a notícia, os caminhos que essa traça para atingir os seus objetivos, ao interesse dos poderosos. Excelente!
Abraço,
Paulo.

Paulo Valença · Recife (PE) · 26/7/2009 09:17
Mais um bom poema, amigo Theo! A realidade vista e encarada, a confirmação de que o olhar do poeta não vaga pelo papel em busca do paraíso perdido...

Meu beijo e voto

sr · Rio de Janeiro (RJ) · 27/7/2009 04:38
Bom dia Theo!
Quando a notícia chega pelos versos de um ótimo poeta é muito bom.
Agora, quando ela vem na sua forma mais selvagem, mais ordinária é muito ruim.
Para a alma e para a democracia.
Votado.

TõeRoberto · João Pessoa (PB) · 27/7/2009 07:48
Antes que a notícia apodreça! Assim é que recebemos
os fatos que nos direcionam a grande mídia.
Belo poema.
Votado.

Betusko · São Paulo (SP) · 28/7/2009 00:30
Theo,

Belo Poema.

É válida e justa a crítica aos meios de comunicação de massa. Empurram-nos o sensacionalismo e o vácuo de conteúdo para dentro da mente de toda a gente. Espremendo bem, pouca coisa sobra.

E de pensar que nos alimentamos com frequência deste cardápio tipo fast-food, não é de se admirar tanta cabeça gorda e limitada da capacidade do discernimento. Sim, porque nem tudo aquilo que agrada ao paladar nutre o espírito.

Um Forte Abraço, Jorge X

Jorge Xerxes · São Carlos (SP) · 28/7/2009 10:41
Olá Amarante, gostei da tua escrita, bem analítica. Como é bom ler o português de Portugal. Parabéns e votado.Abs

Robertson Rébula · Rio de Janeiro (RJ) · 28/7/2009 18:02
Olá Theo,

Não direi do tema, mas do poema que nas entranhas da realidade revela a trama dos poderes.

Muito bom.

Abraços.
Votado.

Sérgio Araújo · Salinas da Margarida (BA) · 28/7/2009 23:51
Foi uma bela construção de imagens e ideias!
Parabéns Theo.

Abraços e sucesso.


Thabata Lima Arruda · Sorocaba (SP) · 29/7/2009 16:26
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