O quarto está na penumbra do dia que amanhece, lentamente. Deitado na cama ele arqueja de olhos abertos, as mãos esparramadas no peito, os lábios roxos e secos rachados. Pelo chão estão seus vômitos, onde moscas começam a voar e as formigas passeiam. Ele está morrendo, sabe que não durará muito, e anseia pela hora, os momentos de lucidez com a lucidez cada vez maior das dores, estou cansado, estou vencido, quero render-me.
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