Quando se tem oito, nove, dez anos, só há uma grande preocupação na vida: será que algum dia farei um gol de bicicleta? Eu treinava no quintal da minha casa sozinho. Jogava a bola para cima, me preparava para o movimento, e tentava acertar o tempo de bola. Normalmente eu furava o chute, dava de canela, levava uma bolada na barriga e caía chapado arrebentando as costas no chão. Infelizmente, hoje, eu sei a resposta para aquela preocupação: nunca fiz nenhum gol de bicicleta (mas é bom que se diga que de voleio eu já fiz).
Passado este período, chegamos às intempéries que se situam entre os 11 e 13 anos. A chamada fase da
pré-adolescência. É neste ponto que deixamos de nos preocupar um pouco com o gol de bicicleta (mas só um pouco) e passamos a reparar naquela moreninha de cabelos lisos que senta à carteira em frente, na sala de aula. Repentinamente, paramos de pegar no pé dela, diminuímos o ritmo das
brincadeiras e passamos a espremer espinhas em frente ao espelho.
Recém entrado nesta fase – não lembro exatamente a data, pois minha memória não é muito fotográfica – foi que eu fiquei sabendo de uma atividade muito popular entre meninos e meninas desta idade: chamava “
festa americana”. “É que nem
mãe-cola?”, perguntei pra um amigo mais velho. “Mais ou menos, só que com refrigerante e salgadinhos”, ele respondeu. Mãe-cola com upgrade, já estava gostando da brincadeira. [...]
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