És poetiza de meu tempo
Seus versos preenchem o vazio que o vácuo de uma bomba provocou; preciso contar-lhe que meus dias sucumbem em um hospital de campanha.
Meu espírito perece, petrifica-se ao bater involuntário do rubro destino; estou há quinze dias numa cama, começam a surgir feridas em minhas costas; Desculpe-me meu bem, meu lado lírico foi calcificado.
Minha vida reduziu-se a enfermeiras e inválidos que chegam aos montes, “sem perna”, “sem braço” é isso que ouço os médicos dizerem o dia todo, ou então, “dêem-lhe um enterro digno”;
Penso que quer saber o meu estado de saúde; isso não diminuiria sua angustia, mas não pretendo confortá-la com este relato.
Meus dias foram úmidos, de prostração em boa parte, seguido de lapsos desmedidos, isso fez boa parte de nossos soldados adoecerem do espírito;
O tempo é incessante e se dá da forma mais inexorável possível, quando o cheiro de morte invade os pulmões; o tempo vive de células, o tempo é a morte.
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