É lei: macho lava a honra com sangue!
Miguelinho - desde criança, - vivenciou isto porque o pai, Miguelão - na sua frente - enfiou a faca na garganta da mãe, Cletilda, porque ela o chamou de frouxo.
Miguelinho cresceu assim: dividido entre a macheza do pai e a ausência da mãe que, pela voz do pai - em cana - sempre foi uma vaca, uma depravada, uma filha-da-puta, uma vadia mal-agradecida e desalmada.
Ouvia estas merdas e, ainda por cima, bebia umas cachaças... quase sempre o dia inteiro.
Desocupado, o maior trabalho era vigiar Vandilsa - prima - que ele, na escala dos relacionamentos humanos - de parentes - classificou como 'sua'.
Vandilsa não sabia, mas lhe pertencia.
Ele a vigiava de longe: sabia seus horários, seus hábitos, sabia a cor dos cabelos, do sapato, do lenço, do batom, do vestido e, às vezes, a cor da calcinha.
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