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Amores - doc
 
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TõeRoberto, João Pessoa (PB) · 7/8/2009 · 65 votos · 9
Google-autor não informado
Amores
É lei: macho lava a honra com sangue!

Miguelinho - desde criança, - vivenciou isto porque o pai, Miguelão - na sua frente - enfiou a faca na garganta da mãe, Cletilda, porque ela o chamou de frouxo.

Miguelinho cresceu assim: dividido entre a macheza do pai e a ausência da mãe que, pela voz do pai - em cana - sempre foi uma vaca, uma depravada, uma filha-da-puta, uma vadia mal-agradecida e desalmada.

Ouvia estas merdas e, ainda por cima, bebia umas cachaças... quase sempre o dia inteiro.

Desocupado, o maior trabalho era vigiar Vandilsa - prima - que ele, na escala dos relacionamentos humanos - de parentes - classificou como 'sua'.

Vandilsa não sabia, mas lhe pertencia.

Ele a vigiava de longe: sabia seus horários, seus hábitos, sabia a cor dos cabelos, do sapato, do lenço, do batom, do vestido e, às vezes, a cor da calcinha.

tags: João Pessoa PB literatura amores macho ciume corno piranha


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Autoria:
TõeRoberto

Website:
http://karaminholas.zip.net

 
Muito bom, Tõe.
Final inesperado.

abraços

Alexandre Eduardo Weiss · Rio de Janeiro (RJ) · 5/8/2009 20:09
Ótimo! Adorei as imagens que você foi construindo ....!
Bom mesmo Tõe !

Voltarei pra votar...

Abs e sucesso.

Thabata Lima Arruda · Sorocaba (SP) · 6/8/2009 16:38
Bom, muito bom, Tõe.
Mantém a gente sob suspense, presos, caminhando em direção a um final que surpreeende.

bjs

sr · Rio de Janeiro (RJ) · 7/8/2009 01:07
Muito bom o texto. Gostei. Abrindo a votação!

JCO · São Paulo (SP) · 7/8/2009 08:30
Tõe,
Escrita boa, "aflitiva". Parece início de um grande romance brasileiro.
Saúde e muita paz, querido.
vt.MF.

Milton Filho · Ribeirópolis (SE) · 7/8/2009 10:07
Tõe,
Que beleza de conto. Remeteu-me ao romance Angústia do
mestre Graciliano Ramos. Seu texto leve e bem contruído deixa um gostinho de quero mais. Muito bom, mesmo.
Votado.
Abraços

Betusko · São Paulo (SP) · 7/8/2009 12:05
Nada como uma Vandilsa prum cara cair na real.

abraço

luís valise · São Paulo (SP) · 7/8/2009 12:32
votado

sr · Rio de Janeiro (RJ) · 7/8/2009 17:08
Os amores, TõeRoberto, são assim mesmo: obsessivos em suas quietudes. Resguardados em suas meiguices. Arbitrários em suas sujeiras. E inesperados, como o esquecimento e a saudade. Votadíssimo. Abraços, Pedro.

Pedro Du Bois · Balneário Camboriú (SC) · 9/8/2009 01:16
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