Qualquer dia desses anoiteceu:
tudo era preto
preto
e eu nem percebi que era noite.
O divino e o diabólico pernoitaram
num só santuário
o ser embrenhou-se na sua inquietude
tingindo de sangue os umbrais de ódio
e fez do mistério existente
na profanação da lei
um simples palpitar de coração.
Pouco me importa a noite chegada
e os santuários profanados
se minha angústia é simples
exposição de fatos
para o dia que ainda vai chegar.
Amar Amar Amar
que mais resta das blasfêmias ditas
se o sangue que eu desejaria derramar
para manchar a aurora que nem veio
já nem corre dentro de mim?
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