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A respeito de navios - doc
 
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TõeRoberto, João Pessoa (PB) · 27/5/2009 · 185 votos · 13
Google-autor não informado
A vigiar navios
Meu canto, amada,
passeia pela cidade sem alma
e descansa no porto.

A fome, embrutecida mulher,
discursa calma na periferia do porto
e espalha com pressa
sua doce mentira.

O trigo não alimenta
ele abastece de ouro
o estômago dos navios
e derrama o suor salgado do homem
no oceano de sal.

Ao longe, amada,
os guindastes transportam
o sofrimento humano
em pesadas cargas.

Os navios, criaturas pré-históricas,
chegam e partem
trazendo e levando em cada saco
em cada container
um pedaço de alma
um pedaço de corpo
um pedaço de vida.

E ninguém se importa.
Ninguém percebe o sofrimento duro
que os navios transportam.

Os homens procuram comida
(uns nos bares, outros nos lixos)
e comem suas feridas estampadas no bife
e no pão amanhecido.

Estou apreensivo, amada,
amargurado e pensativo
sentado no cais infinito.

Não penso em navios
nem em trigo
nem em feridas.

Penso na alma dos homens
suas vidas tristes
seus olhos sem ritmo
seus corpos anfíbios.

Penso neles, amada,
e no espelho das águas,
à beira do cais,
sou um deles
a vigiar navios.

Ah, amada,
como sou patético
a contar navios e navios
de sofrimento humano
como quem conta estrelas.

E o que importa isso?
Nada os detêm.
Nada os interceptam.

Longe, agora pequeninos,
eles avançam nas águas
carregados de dores
e sem qualquer importância
caem um a um
no abismo azul e profundo
do horizonte sem fim.

TõeRoberto

tags: João Pessoa PB literatura cais navio porto fome mulher


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downloads: 252
Autoria:
TõeRoberto

Website:
http://karaminholas.zip.net

 
Caro Roberto: MARAVILHOOOOOOSO!!!!!!!!! Votei. Abraços, Tânia.

Tânia Du Bois · Balneário Camboriú (SC) · 27/5/2009 11:31
Nossa, Tõe! Que poema profundo e carregado de sensibilidade humana!... Adorei!
"Penso na alma dos homens
suas vidas tristes
seus olhos sem ritmo
seus corpos anfíbios.

Penso neles, amada,
e no espelho das águas,
à beira do cais,
sou um deles
a vigiar navios.
Maravilhoso.
Votadíssimo.
Grande abraço



Sandra Lamego · Belo Horizonte (MG) · 27/5/2009 11:32
Tõe, esta sua Poesia é Magnífica!

Parabéns, Meu Caro!

Destaco alguns trechos que apreciei sobremaneira:

"O trigo não alimenta
ele abastece de ouro
o estômago dos navios
e derrama o suor salgado do homem
no oceano de sal."

"Estou apreensivo, amada,
amargurado e pensativo
sentado no cais infinito."

"Penso na alma dos homens
suas vidas tristes
seus olhos sem ritmo
seus corpos anfíbios."

Um Forte Abraço, Jorge X

Jorge Xerxes · São Carlos (SP) · 27/5/2009 13:16
Simplesmente preciso! "ninguém percebe o sofrimento duro que os navios transportam." Votado. Parabéns.

bia35 · São Gonçalo (RJ) · 27/5/2009 14:11
Xará, que belo poema. O porto é der onde partem em chegam emoções.
Votado.
Abs.


Betusko · São Paulo (SP) · 27/5/2009 14:30
Belíssimo poema, canto ao amor em azul e branco...votado!

theresa russo · Fortaleza (CE) · 27/5/2009 14:51
Muito lindo e sofrido. Poema de arranque. Parabéns. Votado. abs

Robertson Rébula · Rio de Janeiro (RJ) · 27/5/2009 14:56
um retrato poético, preciso e sentido.
votei nele.


sr · Rio de Janeiro (RJ) · 27/5/2009 17:30
Exelente! Votado

abraços

victorvapf · Belo Horizonte (MG) · 27/5/2009 18:11
Lindo!!! Do inicio ao fim!!!
Parabéns!!!
Beijos, Vanessa.


Vanessa Rodrigues · Cabo Frio (RJ) · 27/5/2009 21:18
Rapaz, impressionante!!!

Votado merecidamente.

Abs. do

PARREIRA

Claudio Parreira · São Paulo (SP) · 27/5/2009 23:55
Estou conhecendo o teu lado de poeta... triste... profundamente sensibilizado... Hoje mesmo, quase morri de rir com a Calita Odélia! Agora... bem, além de grande escritor e poeta, sinto uma grande pessoa aí dentro.
Beijinho!

Nancy Lix · Novo Hamburgo (RS) · 29/5/2009 09:22
Sen-si-bi-li-da-de. Belo poema!
JCO

JCO · São Paulo (SP) · 10/7/2009 01:52
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