O tempo era seu grande desafio, e de nada lhe adiantaria, caso não compreendesse num curto espaço de tempo, tais manuscritos que continham o tratado de como viajar através das dimensões. Seus inimigos atacavam por todos os flancos, perdera muitos de seus soldados, e o rei havia caçado seu título. Estava só para poder procurar o enigma que abriria as portas para reconquistar o poder de seu baronato.
Debruçado sobre tais manuscritos de difícil compreensão, numa escrita a muito tempo extinta, tentava em vão decifrá-los sobre a luz de vela, que lentamente ia consumindo nas chamas o vigor de seu raciocínio. A cera ia pouco a pouco derretendo, como se fosse um relógio marcando o tempo.
Antes da vela se apagar o Barão Drakos caia num sono profundo.
Nos subterrâneos daquele castelo, não era o lugar mais indicado para adormecer, pois os sonhos que ali lhe eram destinados, abririam os portões de mundo demoníacos, e estes lhe consumiriam uma parte de sua alma humana, pois herdou de seu avô uma fração de sangue não humano, que de certa forma o tornaria imune ao contato com esses seres, mas tudo era muito imprevisível.
Ao sonhar, acabou sendo levado ao passado, pois o único que poderia lhe ajudar a decifrar tais manuscritos seria um gato, que pertencera a sua infância.
Em sonhos, avistava do alto da janela de seu quarto, o jardim, e onde olhava sua mãe carregando-o bruscamente pelo braço. A sensação de se olhar no passado, era igual ao imaginar uma luz atravessando uma pequena fresta nas paredes do tempo, para que pudesse resgatar algo que lhe fora roubado. Aquele garoto que se via da janela sendo levado pela mãe era ele, porém sua mente dificilmente aceitava a ideia de que podia estar simultaneamente em dois corpos, ou três, caso olhasse para o futuro.
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