me admira a destreza humana
de ser bicho vivo comendo carne de gente
como se fosse cana com doce
mira aquele bicho que geme, buscando ar
tá atrás da vida, descrente
vê, como ele geme
indigente
alguns fingem olhar, mas nada vêem
a não ser dor e estorvo sob a luz
a luz que nada ilumina, a luz que cega
me admira a sede humana
de pensar
ser gente viva comendo bicho de carne
ah! como miro e admiro
a destreza humana
Eis um poema que merece ser lido com respeito, por ser um ato de revolta contra o descaso que o humano tem por si. Se alguns julgarem não ter poesia, outros hão de julgar que há sangue; como segue a vida humana. Descrença tenho de quem julga ser luz, está para a luz. Compaixão tenho de quem julga encontrar a luz. São corredores tão brancos e iluminados que cegam...
Dedico este poema a minha avó e a um amigo.
fernanda lima maia (março/2009)
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