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Pensamentos Imperfeitos | José - Uma História em Cinco Capítulos (5)
 
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Portal Literal 1.0, Rio de Janeiro (RJ) · 16/9/2008 · 49 votos · nenhum
  
Publicado originalmente por Rubem Fonseca em 08/01/2005.
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JOSÉ - UMA HISTÓRIA EM CINCO CAPITULOS (5)

A saga do menino que adorava livros continua. Leia aqui o último capítulo desta série inédita.



5 - O CARNAVAL

Para aumentar a sedução da cidade, a atração que ela exercia sobre José, alguns meses depois de morar no centro e de explorar e conquistar avidamente seu novo território, aconteceram os quatro dias de Carnaval. As ruas e praças em volta da casa dele, a avenida Rio Branco, a 13 de Maio, o largo da Carioca, a Cinelândia, se encheram, de repente, de mulheres lindas fantasiadas de odaliscas, colombinas, tirolesas, índias, ciganas, que pareciam ter vindo de um outro mundo; foram ocupadas por grupos de pessoas fantasiadas cantando e dançando ao som de bandas de música; pelos carros abertos fazendo o corso; pelo desfile dos préstitos das Grandes Sociedades os Fenianos, os Pierrots da Caverna, os Tenentes do Diabo, o Clube dos Democráticos. E havia as serpentinas e os confetes coloridos, no ar o aroma do lança-perfume, éter perfumado em bisnagas de vidro ou metal, que as pessoas esguichavam umas sobre as outras, e que, quando aspirado em pequenas doses, o que era comum, causava uma embriaguez instantânea, mas de curta duração. (Alguns sujeitos brigões, ou cretinos, gostavam de jogar o éter das bisnagas nos olhos dos outros, o que causava uma forte ardência, também passageira.)

No último dia de carnaval, a terça-feira gorda, que os franceses chamam de mardigras, que antecede a quarta-feira de cinzas, as pessoas cantavam com uma desesperada e masoquista alegria "é hoje só, amanhã não tem mais, é hoje só, amanhã não tem mais!", e naquele dia e muito depois em outras terças-feiras carnavalescas esse refrão enchia José de tristeza, o carnaval ia acabar. Não entendia porque as pessoas faziam questão de gritar esse inútil estribilho doloroso de alerta. Nesse dia, ele foi para casa e ficou até o sol raiar no balcão do seu sobrado, para ver os últimos blocos deslocando-se pela rua Sete de Setembro entre a Praça Tiradentes e a Rio Branco. Ouviu, ao longe, na madrugada cinzenta o derradeiro bloco se aproximando, apenas o barulho cadenciado dos tamancos no asfalto, uma anunciação misteriosa, não assustadora, apenas melancólica, do fim do mundo. Quando naquela manhã cinérea o bloco se aproximou e passou em frente à sua janela, marchando num compasso lento de rancho, José pôde ver a todos, homens e mulheres e crianças, pretos, mulatos e brancos, pobres, com suas fantasias consumidas, cansados, mas com um sentimento de coragem resignada, ou de esperança, ou de seja-o-que-Deus-quiser; e pôde ouvir o samba que cantavam – "o orvalho vem caindo, vai molhar o meu chapéu, e também vão sumindo as estrelas lá no céu, tenho passado tão mal, a minha cama é uma folha de jornal".

No dia seguinte, o mundo tinha se modificado, pessoas estranhas e feias e sem alma caminhavam pelas calçadas. De uma hora para outra a alegria e o amor tinham desaparecido da face da terra, e ele, imprevidente ou impotente, não conseguira tornar permanente a imensa felicidade que havia sentido, estava tudo acabado e perdido, o que vira e sentira parecia impossível de ser revivido em seu coração - amanhã não "tinha" mais. Hoje, ele vê as fotos antigas do carnaval, e aqueles foliões e foliãs, mortos e esquecidos, são efemeramente ressurrectos pela sua imaginação.

Como era e como ficou o carnaval

Antigamente a festa de Carnaval, que sempre ocorreu na entrada da quaresma e durava três dias, era conhecida como entrudo, o carnaval português trazido para o Brasil provavelmente já no século XVI. Existem alvarás e avisos das autoridades, de 1604, procurando coibir os abusos desses festejos. Era um folguedo em que as pessoas dele participavam como se fosse de uma batalha, atirando uns sobre os outros, das janelas das casas para outras janelas, ou das janelas sobre os transeuntes, ou entre esses em plena rua, baldes de água, limões de cheiro, ovos, farinha, pastelões, espigas de milho, e outros petardos, muitas vezes com violência, incluindo a troca de bordoadas com vassouras ou colheres de pau. Isso durou até o início do século XIX, quando, devido em parte à repressão policial e em parte ao fato dos habitantes terem se sofisticado, o entrudo perdeu sua força. Surgiu nas ruas um sapateiro português, Zé Pereira, tocando um bumbo e não demorou para que ele fosse seguido por carnavalescos a dançar. A moda introduzida por Zé Pereira pegou, e logo outros o imitaram a tocar bumbos e zabumbas pelas ruas e o carnaval do Rio começou a adquirir uma outra característica.

No dia 22 de janeiro de 1835, no hotel Itália, ocorreu um baile de máscaras, com foliões fantasiados como se estivessem num carnaval de Veneza. As danças eram ao som de polcas. No baile de máscaras no teatro São Januário, em 1846, mais de mil pares dançaram no salão, ainda ao som de polcas certamente, até as três horas da madrugada, quando foi suspenso pelo Inspetor do teatro que entendeu "que a saúde dos dançarinos requeria que S.S. mui civilmente os mandasse descansar, dando a festa por encerrada". As fantasias eram de pierrô, colombina e arlequim, os personagens afrancesados da commedia dell'arte italiana, que foram as preferidas pelos foliões durante muitos anos, inclusive sendo tema de "marchinhas" carnavalescas até a metade do século XX.

No carnaval de 1855, ocorreu no centro da cidade o primeiro desfile do Congresso das Sumidades Carnavalescas. Em carruagens ou a cavalo, desfilaram carnavalescos fantasiados de Nostradamus, Luis XIII, Lord Buckingham, Benevenuto Cellini, Van Dick. "O entrudo está completamente extinto", escreveu, neste ano, o romancista José de Alencar. As Sumidades foram substituídas, anos depois, pelas Grandes Sociedades Carnavalescas, cujos carros alegóricos, empurrados por associados ou puxados por burros, tendo sobre eles toscas esculturas e mulheres fantasiadas com trajes sumários, desfilavam ao som de clarinadas de músicos a cavalo. Os chamados "préstitos" das Grandes Sociedades logo se tornaram o grande acontecimento do carnaval, que definitivamente adquirira um novo estilo. Acabara mesmo "o jogo selvagem" do entrudo. Aumentava a ocorrência dos bailes. As músicas carnavalescas eram cantadas por todos. As batalhas entre pessoas fantasiadas eram de confete, de serpentinas de papel colorido, ou de lança-perfume. Os blocos a fantasia ou de "sujos" desfilavam pelas ruas seguindo a cadência dos instrumentos de percussão, agora não apenas os bumbos e zabumbas do tempo do Zé Pereira, mas também pandeiros, tambores, tamborins, qualquer coisa que percutisse. Uma nova maneira de brincar o carnaval surgiu com o "corso", um desfile de carros conversíveis percorrendo lentamente, próximos uns dos outros, um trajeto de ida e volta ao longo da Avenida Rio Branco, com foliões de ambos os sexos devidamente fantasiados, cobertos de confete, se divertindo, cantando, as mulheres sentadas nas capotas arriadas e os homens em pé nos estribos, o que permitia que saltassem rapidamente para jogar lança-perfume nas colombinas e odaliscas da fila motorizada. Serpentinas eram arrojadas de lado a lado, ligando os carros com feixes compridos e espessos de fitas multicoloridas. Maçarocas de serpentina e confete espalhavam-se pelo chão da avenida.

Os bailes de carnaval demoraram ainda alguns anos para se tornarem realmente populares. Com o passar do tempo, surgiram bailes de todos os tipos. Para ricos, em locais como o Copacabana Palace e o Teatro Municipal, este último felizmente proibido, quando perceberam que os folgazões destruíam as ricas instalações do teatro. (José lembra-se de ter ido a um desses bailes de Carnaval e ficado revoltado ao ver hordas de louras gordas oxigenadas, ricamente fantasiadas, sentadas sobre as bordas acolchoadas de veludo das frisas e camarotes, com as pernas nuas para fora, batendo com os saltos dos sapatos no bojo das paredes, ao som das marchas carnavalescas; viu pessoas jogando cigarros acesos, restos de bebidas, e vomitando sobre as passadeiras vermelhas dos corredores e escadas.) Para os pobres e remediados, muitos clubes esportivos ou recreativos promoviam bailes, em salões ou quadras de esporte; mas havia locais que só funcionavam no carnaval, como o famoso High Life, na rua Santo Amaro, onde ele assistiu ao seu primeiro baile, ainda adolescente, surpreso com a licenciosidade que imperava nos salões, algo que ele não via nas ruas.

(Ainda muito jovem, quando estudante da Faculdade de Direito, José participou algumas vezes de um baile realizado todo ano, na tarde de um dia útil da semana anterior ao carnaval, em um local fechado, alugado especialmente para esse dia, com porteiros, garçons, roupeiros, todos de confiança, contratados pelos organizadores. Somente eram admitidos no baile aqueles que possuíam convite, que não era fácil de se conseguir, e os escolhidos eram advogados, juizes, alguns estudantes de direito que estagiavam no foro, ou em um escritório, e eram confiáveis pela discrição, como era o seu caso. O baile era conhecido como "baile da balança", a balança que simboliza o equilíbrio e ponderação da Justiça. Só havia mulheres bonitas no baile, José achava que o porteiro barrava as feias, nem todas eram vadias (ou coisa parecida); provavelmente as que se mantinham mascaradas eram mulheres sérias (ou coisa parecida). O baile era também conhecido como "baile do cabide", pois na entrada o convidado, que passara a manhã no foro ou no escritório e chegava de paletó e gravata, recebia um cabide para colocar sua roupa. Um pequeno número ficava apenas de cuecas, que, conforme a moda da época, pareciam bermudas; outros tiravam o paletó e a camisa, pois era verão e o salão ficava muito quente; mas a quase totalidade apenas tirava o paletó e a gravata. Roupas e pastas eram cuidadosamente guardadas e não se conhecia a história de uma simples gravata ter desaparecido. Algumas mulheres, mais ousadas, punham-se de calcinha e sutiã, com as máscaras, é claro, mas a maioria mantinha-se decorosamente trajada. Os casais dançavam, se agarravam e se beijavam, mas qualquer coisa além disso teria que ser transferida para outro local, pois o baile se orgulhava de não ser um festim licencioso. A toda hora um convidado se retirava sorrateiramente, acompanhado de uma mulher. Se um advogado, ou estudante como José, reconhecesse um respeitável juiz ou desembargador abraçado a uma mulher, fingia que não via e jamais comentaria isso. Encontrando o juiz no foro, agiria como se nada daquilo tivesse acontecido. Eram todos cavalheiros, e como tal se portavam. Quer dizer, fora do baile.)

Mas a maioria dos carnavalescos não brincava em bailes, divertia-se nas ruas, nos blocos de sujos ou nos bondes que trafegavam na cidade, dependurados nos seus estribos, sentados ou em pé no interior do veículo, cantando as músicas carnavalescas. Os bondes da zona sul, que vinham com destino ao centro passando pela rua Treze de Maio, entravam na Galeria Cruzeiro, que era o ponto final, e faziam o seu retorno pela rua Senador Dantas. A galeria, localizada sob o prédio do Hotel Avenida, ocupava um quarteirão da Rio Branco, que foi mais tarde demolido para dar lugar a mais um arranha-céu. Com seus dois corredores em forma de cruz (daí o seu nome), a galeria abrigava em seu interior várias lojas comerciais e pelo menos duas cervejarias, cujos salões durante os três dias de carnaval ferviam repletos de amigos da folia, muitos deles usuários dos bondes. José lembra-se de ficar nas portas das cervejarias olhando as pessoas lá dentro, sem poder entrar, por não ter dinheiro ou idade para isso. Numa delas uma banda tocava, com grande estridência, as marchinhas do carnaval, com o acompanhamento alegre e desafinado dos beberrões. Magotes de pessoas fantasiadas entravam e saiam dos bondes. Enquanto existiu, o bonde foi um elemento importante da festa, tema de inúmeras músicas carnavalescas. Próximo da galeria ficava o famoso Café Nice, onde os compositores populares se reuniam para conversar e vender uns aos outros as suas composições.

Em 1932, na Praça 11, aconteceu o desfile inaugural das escolas de samba. Antes das escolas de samba, havia os ranchos-escolas, no final do século XIX, cujos desfiles eram um grande acontecimento carnavalesco. Os ranchos ainda existem e desfilam hoje no mesmo local das escolas de samba, mas em outro dia, pois as escolas têm a exclusividade das noites/madrugadas do domingo e da segunda-feira. Os ranchos buscam manter sua forma original, no entanto são apenas, para tristeza de muitos estudiosos, uma curiosidade folclórica, sem prestígio popular. Também desfilam em outro dia, os frevos, uma dança popular do estado de Pernambuco, com coreografia que exige uma forma física perfeita dos dançarinos, animados por uma orquestra de metais que produz um som empolgante. Mas também o frevo, não obstante sua vitalidade e beleza, não passa de um coadjuvante da festa no Rio de Janeiro.

Desde 1920 já havia escolas de samba, e a primeira, por uma singular coincidência, surgiu no bairro Estácio de Sá, cujo nome homenageia o fundador da cidade. Nas adjacências do Estácio ficavam os morros da Saúde, da Favela (vocábulo provavelmente originário de local com o mesmo nome, em Canudos e que, dicionarizado, passou depois a significar qualquer ajuntamento de barracos ou casas pobres desprovidas de condições higiênicas), da Providência, de São Carlos e os bairros da Gamboa e do Catumbi. Nesse local surgiu também o samba, que desbancou o maxixe, a música dos carnavalescos até então. O Rio de Janeiro (na verdade isso se aplica ao Brasil como um todo) tem uma história musical muito rica, resultado de uma mistura feliz de etnias e culturas. E esse panorama está sempre se renovando. Um bom exemplo é o da "bossa-nova", um ritmo moderno, intimista, criado nos anos 1950 por jovens da classe média. Um dos seus principais representantes, Garota de Ipanema, dos cariocas Tom Jobim e Vinicius de Moraes, ajudou a difundir pelo mundo esse novo movimento da música popular brasileira.

A escolas de samba, hoje integradas por milhares de participantes, são agremiações surgidas nas comunidades carentes dos morros ou da periferia da cidade. No início, o desfile era na praça 11, sem luxo e sem pompa. José assistiu a alguns desses desfiles quando ainda era estudante, no início dos anos l940. Não havia arquibancadas, nem muita gente assistindo, na verdade o público era de pessoas humildes, na maioria negros e mulatos que preferiam seguir, dançando e cantando, as escolas que desfilavam cercadas por cordas seguras pelos sambistas, uma espécie de cordão móvel de isolamento. As baterias eram relativamente pequenas, e as poucas fantasias eram feias e pobres. A partir de então, ele somente deixou de ver os desfiles quando morou algum tempo no exterior. E acompanhou, ano a ano, as transformações dos enredos, das baterias, das fantasias, dos carros alegóricos, da composição étnica e social de sambistas e assistentes e de tudo o mais. O primeiro desfile com arquibancadas ocorreu em 1962, na avenida Rio Branco, e ele recorda-se da apresentação revolucionária do Salgueiro, dirigida por Fernando Pamplona, estabelecendo um novo padrão estético para os desfiles futuros, no que se refere às fantasias, carros alegóricos, e interação entre tema, música e organização das alas de sambistas.

Desde 1984 as escolas exibem-se num Sambódromo, como é conhecido o conjunto arquitetônico construído pelo governo estadual especialmente para o desfile, com arquibancadas e camarotes para o público. As escolas desfilam cantando e dançando ao som de uma bateria de centenas de instrumentos de percussão, tambores, bumbos, caixas de guerra, tamborins, pandeiros, cuícas, reco-recos, pratos de metal, comandadas por um Mestre, que dirige a bateria com a precisão de um maestro de orquestra sinfônica.

As origens do Carnaval

Um padre descreve, num livro publicado em 1585, uma procissão em homenagem a São Sebastião, o padroeiro da cidade. Na praia, a imagem do santo foi colocada num barco, no qual se armou um altar sob um pálio. O Governador e os outros portugueses, portando bandeiras, ao som de pífaros e tambores, chegaram à praia "fazendo um lustroso alarde de arcabuzaria". O barco com o santo foi posto ao mar, acompanhado por dezenas de outras embarcações, pintadas de várias cores. "Houve no mar", continua o cronista, "grande festa de escaramuça naval, tambores, pífaros e flautas, com grande grita e festa; os portugueses da terra com sua arcabuzaria e também os da fortaleza dispararam algumas peças de artilharia grossa". Depois que acabou a procissão marítima, todos desembarcaram para procissão na terra, sendo a imagem do santo conduzida festivamente num andor até à porta da Igreja da Misericórdia e colocada num rico altar. "Então se representou um devoto diálogo do martírio do santo e causou este espetáculo muitas lágrimas de devoção." Um jovem amarrado num tronco interpretou o papel de são Sebastião, sendo simbolicamente flagelado e trespassado por flechas, conforme consta da história do martírio do santo.

As procissões se tornaram ainda mais elaboradas nos séculos XVII e XVIII, com andores ricamente ornamentados, estandartes, bandeiras, música, cantores, e um "enredo" com figurantes representando Cristo, Madalena, anjos, penitentes, santos, virgens, centuriões romanos, conforme o tema que estivesse sendo celebrado ;;; Cinzas, Os Passos (ou Estações da Via Sacra), Penitentes (ou Fogaréu, ou Flagelantes), Senhor Morto, ou qualquer outro.

Nas procissões religiosas está a origem dos ranchos e das escolas de samba. Mas as escolas de samba desde o início abandonaram a progressão lenta e o canto de certa forma melancólico dos ranchos, mais próximo dos cortejos religiosos, assumiram características diferentes e afinal se tornaram a maior, a mais espetacular e a mais fervorosa procissão do mundo. Os enredos das escolas de samba também contam histórias com personagens devidamente fantasiados; os carros alegóricos são os andores, os tabuleiros ornamentados das procissões católicas sobre os quais se conduzem as imagens santas; os estandartes das procissões são os adereços de mão; as bandeiras da escola estão presentes com a mesma pompa. E as imagens veneradas, na procissão carnavalesca, são as mulheres nuas ou seminuas sim, a carne em sua nudez é a mais pura representação do carnaval, como o é também da vida ou então paramentadas com fantasias ricas, esplendorosas e estrambóticas, a dançar e cantar no topo desses carros-andores.

Em 1999, uma escola, o Salgueiro, no ritmo e no compasso do samba, dançou e cantou no Sambódromo músicas sacras, que evocavam Cristo e a fé cristã.

Parte 4

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