Entrar
Novo no Literal? Registre-se
OPORTUNIDADE SENTIMENTAL
 
1
Arnaldo Massari, Campinas (SP) · 31/8/2010 · 40 votos · 5
OPORTUNIDADE SENTIMENTAL

Sou viúva, bela e rica. Não tenho quaisquer de problemas financeiros. Sou amorosa e fiel. No botão dos meus vinte e oito anos de tudo ainda empinado e durinho, procuro por um vizinho de cama, de teto e parede. Para saciar a minha formidável sede de amor.

Tenho a tez de veludo e, a tesão, em velada. Totalmente abnegada aos grilhões de uma relação. Sem grilos na cabeça.

A minha mansão, nunca abrigou os mansos. Os meus maridos foram queridos demais. Sempre preferi bailar sozinha na amplidão dos incontáveis aposentos. Não gosto das paranóias de mordomos e arrumadeiras; para que não mexam nas coisas do meu esposo, em quando ele de ausente. Contudo, apenas, sempre mantive o jardineiro. O amor é como a flor. Tem que ser cuidado.

Estou nessa solidão que machuca. Sinto muita saudade do último companheiro. Não sei se morreu de ciúme, ou pela cisma ao perfume que sempre dizia sentir no meu cangote. Jamais entendi. Mal chegava em casa, me cheirava todinha. Conferia nos lugares que, pudicamente, mais respeito. Observava bastante o meu pescoço, procurando eventuais e impossíveis arranhões de barba. Fui absolutamente sua e, portanto, assim, morreu de graça. Que pena!

Procuro pelo verdadeiro machão. Nenhum cabra babão. Aquele que vai me dominar com o seu olhar - mal sabendo da necessidade de óculos. Não me apraz, tampouco satisfaz, aqueles janotas que se preocupam muito com os cabelos e com as unhas.

Sou totalmente caseira. Quando em só, esperando pelo abençoado do retorno, cuido dos meus jardins. Principalmente, da minha bromélia. Tenho um jardineiro que me ajuda durante toda a semana, faz tempo. Rapaz forte e abnegado em roçar matos e regar flores.

Quando o meu marido chegava, encontrava sempre o jardim regado e cuidado. O lençol, lavado. Prontinhos para ele!

Aos pretendentes desapontados pelas malfadadas experiências anteriores, aprendidas na cartilha da partilha, eis a oportunidade. Nas cartas de apresentação, o constar das medidas é indispensável: altura, comprimento, largura da conta bancária; sob a sigla – um pudim só para mim.




tags: Campinas SP literatura


 
ABRO A VOTAÇÃO. Muito bom o texto...com aquele jardineiro, marido pode-se esperar ...escolher bem para não errar... abraços Alice

Alice Luconi Nassif- Horas ou Momentos · Rio de Janeiro (RJ) · 30/8/2010 22:26
Alice. Muito obrigado pela leitura e, particularmente, pela interpretação havida das entrelinhas....

Arnaldo Massari · Campinas (SP) · 31/8/2010 16:01
Sugestivo e muito bem elaborado, Votado

Dupoeta · Aracaju (SE) · 1/9/2010 08:30
Texto roçando o catártico, de viés, sutil na transparência, como as avessas, sempre algo profundo e bom de ler. As entrelinhas nos informa de uma outra riqueza, que só as letras tem essa mágica no coser, ponto por ponto.// Abs...Luz e paz...MF.

Milton Filho · Ribeirópolis (SE) · 1/9/2010 08:41
No Du ou no Do, o verdadeiro poeta tem todo o direito. Sabe o que diz e, em muito mais, diz o que pensa. Mirto. Óia! Ucê cuidado com o Pessoa.

Arnaldo Massari · Campinas (SP) · 1/9/2010 08:52
Adicione seu comentário: para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Portal Literal, e adicione seus comentários em seguida.



visite nossa seção de perguntas mais freqüentes



Termos de uso | Expediente | Privacidade | Alerta
Salvo indicação em contrário, todo o conteúdo (c) 2009 Portal Literal e seus autores