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O desespero manso de Clarice Lispector
 
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Fernanda R. Barros, Porto Alegre (RS) · 4/7/2010 · 70 votos · 18
“Pois a hora escura, talvez a mais escura, em pleno dia, precedeu essa coisa que não quero sequer tentar definir.” É assim que começa o conto “Tanta mansidão” da Clarice Lispector. Logo após, ela descreve um sentimento de vazio, como se “o coração tivesse sido tirado, e no lugar dele houvesse uma súbita ausência”, tal ausência poderia ser interpretada como a ausência do sentir de contentamento, porém, a Clarice, em tal conto, evidencia o desaparecimento, a retirada da dor e do sofrimento ‘natural’ que algumas almas possuem mais do que as outras: “uma ausência quase palpável do que era antes um órgão banhado da escuridão da dor”. Fugindo ao comum, a autora adentrou no campo antagônico da idéia de evidenciar aquele momento em que um coração desesperançado mostra-se assim exatamente por não estar sob os efeitos de sofrimento e de desolação. E como se quisesse dizer que tal instante não é sentido ou percebido por qualquer um, argumenta de forma a tornar mais palpável sua premissa: “Não estou sentindo nada. Mas é o contrário de um torpor. É um modo mais leve e mais silencioso de existir.” Quiçá, o sentimento mais evidente quando um ‘esvaziamento’ de agonia ocorre é exatamente esse ‘sentir nada’. Mas... será que às vezes esse nada ou esse vácuo não é apenas uma justificativa que se dá para dizer “não estou mal, logo deveria estar bem, mas parece-me que sinto falta do contrário sentir de agora”.
Em uma análise mais crua, o texto traz em si a idéia de que nem sempre nos descobrimos padecendo mil males internos e externos, porém, exatamente por isso, exatamente por não nos vermos dessa forma agônica, em todo e qualquer momento, que vamos arrumando motivos para que algo nos prove o quanto estamos melancólicos. E paradoxalmente, o texto demonstra que alguém pode se sentir terrivelmente entristecido por um único fato: não estar triste ou por não existir motivos, embora sinta algo como “querer consolar-se da angústia e da dor, mas simplesmente possuir uma simples e tranqüila alegria”.
No terceiro parágrafo do conto, a personagem (existem alguns contos da Clarice que me fazem pensar que os personagens são apenas ela conversando consigo mesma) relembra que a chuva costumava consolá-la, mas ela conclui novamente que “não tem dor a consolar”. Buscando ainda uma justifiicativa para mostrar-se nada satisfeita com sua ausência de dor, desencadeia uma sentença enunciativa que cai exatamente num confronto e num conforto para a sua tão presente falta de sofrimento (ou presença dele, ainda que pelo motivo de não sentir dor): “Estou procurando agora na chuva uma alegria tão grande que se torne aguda, e que me ponha em contato com uma agudez que se pareça a agudez da dor.”
Desesperadamente, no penúltimo parágrafo, o eu-lírico, ainda procura no próprio pulso o latejar tão dolorido e conhecido da dor. “Constato que não há o latejar da dor”. E tal situação, devendo assemelhar-se com um sentir de conforto provido de satisfação e alegria, mostra-se cada vez mais uma prova meio incoerentemente humana de que existe uma dor camuflada que é desencadeada pela presença de uma alma desprovida de males. “Quanto durará esse meu estado?”, é o questionamento que salta da página enquanto a personagem apalpa ainda seu pulso em busca... em busca de uma dor que a chuva, a qual mansamente cai, possa acalmar e consolar.


tags: Porto Alegre RS literatura conto claricelispector opiniao citacoes dor


 
FERNANDA: ADORO LER CLARICE, ACREDITO QUE AS SUAS ANGUSTIAS TENHA SIDO O QUE IMPULSIONOU A BELEZA DE SEUS ESCRITOS. ABS. SANDRA

verdades e mentiras · Uruguai · 2/7/2010 17:32
Sim, as angústias, as dores, as inconformidades, a luta costante com o próprio ser em busca de algo que nunca se consegue definir, as palavras e gestos incontidos, são características bem demarcadas em diversas personagens da Clarice. Este conto Tanta mansidão o qual citei no texto, considero um dos mais extremos dela, pois nele está uma personagem que, em busca de tantas respostas, se vê num momento sem dor e exatamente por isso sente dor ou talvez uma desilusão por saber que não é próprio de si mesma estar sentido-se bem... bom, quem lê Clarice sabe que o sentir ganha sempre de qualquer entendimento que a razão possa trazer pendurado em seu pescoço!

Fernanda R. Barros · Porto Alegre (RS) · 2/7/2010 18:38
FERNANDA, ,estou lendo uma Antologia de Contos Brasileiros e o terceiro conto é da Clarisse Lispector. O conto chama-se " Amor". Este conto " Tanta mansidão" parece ser maravilhoso, pois nossa Clarisse é esse retrato que descreves, nunca se mostra ou se desvela por inteiro.Angústias , alegrias e o vazio são sentimentos comuns em seus persongens e atingem seus leitores profundamente. Fico inquieta quando leio essa maravilhosa Clarisse , ela mexe com meus nervos. Parabéns pela escolha desta imortal escritora, e pela excelente redação. Um abraço Alice

Alice Luconi Nassif- Horas ou Momentos · Rio de Janeiro (RJ) · 2/7/2010 18:41
Fernanda: Falar de Clarice chega a ser covardia para uma literatura selecionada e estilosa. Clarice foi uma grande escritora e senhora de valores saberes dentro da Literatura Brasilaira(L.B.). Procurava sempre afastar de si as verdades menores que nem teve tempo para a conhecer. Que rendam-se as línguas ferinas que dizem que mulher bonita não tem cérebro. Eis aí uma escritora de renome mundial, através de suas grandes obras. Todavia, em especial destaco: " A Hora da Estrela", "Felicidade Clandestina" e " Laços de Familia" que são estudos literarios de beleza exuberante para uma analise literaria como trabalho de investigação ou de cunho academico. Uma escritora que buscava exprimir , através de seus textos, a agruras e antinonias do ser. Numa linha introspectiva, suas obras caracterizam-se pela exacerbação do momento inteiro e intensa ruptura com o enredo factual, a ponto de a própria subjetividade entrar em crise. E, essa passagem muito bem marcada na íntegra foi mostrada, quando sua obra "Laço de Família" foi parar na tela global em forma de novela. A obra literaria de Clarice ultrapassa qualquer tentativa de classificação dentro da L.B. PARA REFLEXÂO: "Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada... Porque no fundo a gente não esta querendo alterar as coisas. A gente esta querendo se salvar de um modo ou de outro..." (Clarice Lispector) .Bjs. Solange.

Solange Gomes da Fonseca · Curitiba (PR) · 3/7/2010 05:28
digo: antinomia!

Solange Gomes da Fonseca · Curitiba (PR) · 3/7/2010 05:32
Não li esse conto, mas pelo seu artigo percebo que se trata de um jogo elucidativo em busca de dor, seja por onde for. Gostei mt da sua construção de texto!!! ;-) bjs***

Gisele Galindo · Curitiba (PR) · 3/7/2010 14:48
ÓTIMO! CLARICE É PERFEITA, É UMA LINHA QUE ADORO!

Marcelo Vinicius · Feira de Santana (BA) · 3/7/2010 21:10
ABRO VOTAÇÂO!!!

Solange Gomes da Fonseca · Curitiba (PR) · 4/7/2010 18:08
VOTADO e PUBLICADO. ALICE

Alice Luconi Nassif- Horas ou Momentos · Rio de Janeiro (RJ) · 4/7/2010 20:53
Fernanda, Um Artigo Brilhante! "...paradoxalmente, o texto demonstra que alguém pode se sentir terrivelmente entristecido por um único fato: não estar triste ou por não existir motivos..." Excelente Leitura de Clarice. "...existe uma dor camuflada que é desencadeada pela presença de uma alma desprovida de males." Um Beijo! Jorge X

Jorge Xerxes · São Carlos (SP) · 7/7/2010 11:20
Pessoal das letras!!! É muito satisfatório ver os comentários de vocês! Não comentei cada comentário (ainda) porque meu tempo livre tem se mostrado bem escasso... Alice, sabes que eu vi exatamente este livro que citaste, Antologia de Contos Brasileiros, numa feira que tem aqui na minha cidade de livros usados? Sim, eu o vi e cheguei até a pegá-lo, o abri e vi exatamente este conto Amor que também citaste da Clarice... e sabe... esse teu sentir de inquietude ao ler os textos e livros da Clarice, é algo que também me ocorre... é um tipo de inqueitação externa que se aproxima e nos prova o quanto também a possuíamos, mas apenas não a conhecíamos até o momento da leitura... incrível isso, não? Solange, esta frase que colocaste dela eu também já conhecia... eu inclusive a utilizava num blog que eu tive... e realmente a Clarice tinha uma maneira bem antagônica de manifestar sentires tão diversos... Macabea é uma das personagens que mais admiro não só na obra dela como em toda a Literatura Brasileira... tem a Virgínia do livro O Lustre, que também é uma personagem do tipo divergente do comum, do esperado... mas sabe... eu também tenho minhas críticas severas para com a Clarice... cito um livro de crônicas chamado Para não esquecer... bom, é uma obra que eu considero do tipo ´tenho já notoriedade, logo qualquer coisa que eu escrever será publicado certamente´, sim, eu sei que é difícil pensar assim em se tratando dela, mas o tal livro é um dos mais fracos que já li de crônicas... tem algumas muito boas, mas tem outras que deixam muito a desejar tanto pela forma quanto pelo conteúdo. Gisele, tua síntese a cerca do texto me deixou pensando bastante... e de fato o conto referido é mesmo uma busca pela dor, uma busca meio insana, já que o ser em questão deveria sentir-se bem em seu estado de paz interior... mas como sentir-se bem se ele simplesmente não sabia o que era isso? não sabia nem mesmo quando a dor se mostrava ausente... ah... esse conto é incrível.. se quiser posso enviar-te! Marcelo, considero Clarice Lispector sensasional, mas perfeita... bom, acredito que nem ela gostaria de ser ´limitada´ dessa forma... até porque perfeição é algo tão redondo, tão esperado, tão almejado... acredito que ela era mais do tipo ´assumo as imperfeições e faço delas uma justificativa para seguir sendo o que sou´. E, finalmente, Jorge... é, o texto é de fato paradoxal porque enfoca a questão do conto dela... essa dor tão almejada pela personagem, a dor que se sente quando a mesma se mostra ausente... e aí peguei-me pensando: não será o maior enfoque a incoerência dos sentimentos do que a própria dor a qual tantas vezes é citada e rememorada no conto? A incoerência de ser humano é uma constante também nas obras dela. Obrigada pelos comentários... eu chateio comentando o comentado, mas... é mania de escriba incansável!!!

Fernanda R. Barros · Porto Alegre (RS) · 7/7/2010 22:40
Fernanda: Respeito e aceito sua critica ao livro de crônicas de Clarice, mas deixo minhas considerações que crônica é algo de gosto muito pessoal. Uma que é boa aos seus olhos não será aos meus...Notoriamente, tudo que escrevia tinha certeza que seria publicado , pois tinha ciência do seu valor literário. Assim, como Machado de Assis, Jorge Amado. Fernando Pessoa, Guimarães Rosas e por aí... outros grandes escritores que fizeram historia na L.B. Sabe, Fernanda, mais produtivo do que tentar definir e escolher uma obra literaria, talvez seja encontrar um caminho pra decidi o que torna o texto, em sentido latu, literário. Gosto e destaco o estilo de Clarice, sem reservas, por considerar que sua literatura consegue produzir um efeito estetico e quando muito provoca catarse, no receptor. O texto literário de Clarice é, portanto, aquele que pretende emocionar e que, para isso, emprega a língua com liberdade e beleza, utilizando conceitos de literatura, cuja pluralidade não impede de prosseguir a classificação de genero e exposição de sua obra. A obra de Clarice ultrapassa qualquer tentativa de clasificação haja visto os comentários das colegas Sandra e Alice, ao dizerem que os textos da autora mexem profundamente com o interior delas. E, mais: nos contos de Clarice há um constante conflito entre a autoconservação e a autonomia que se revela no cotidiano dos seus personagens. Entretanto, os memos elementos que aparecem carregados de dor e desconforto, também se revelam como potencializadores da vida: ao mostrar o que é inóspito e cruel, ao trazer a morte escancarada nos momentos mais singelo, tem-se uma denuncia do sofrimento que alerta para a necessidade de transformação. Não quero ser "chata", mas tenho que expor o que considero dessa autora. Bjs. Solange.

Solange Gomes da Fonseca · Curitiba (PR) · 8/7/2010 09:49
Solange, vamos aproveitar este espaço para algo além de apenas comentários, aliás, isto é algo que já estamos fazendo... bom, concordo que ´crônica é algo de gosto muito pessoal´, porém não devemos deixar escapar o sentido de senso crítico apurado. Bom, citarei uma das crônicas para, logo depois, embasar meu argumento. O título da crônica presente no livro ´Para Não Esquecer´ é: Hora do marinheiro partir. Eis a crônica na íntegra: ´Você compreende, não é, mamãe, que eu não posso gostar de você a vida inteira.´ Aí está toda a crônica, Solange! Então, agora, pergunto-te: nesta crônica especifica a Clarice poderia ter ´ciência do seu valor literário´? Não faltou, neste caso ´crônico´ (trocadilho), um pouco ou muito de senso crítico-literário por parte da escritora? Sabe, eu posso até estar sendo hiperbólica, porém, sempre que eu releio esta crônica da Clarice, sempre me vem à mente aquelas exposições de arte contemporânea em que, por exemplo, ficamos idiotizados olhando para uma cadeira pendurada no teto enquanto diversos balões descansam no chão. Costumo indagar-me: tudo bem, é arte... mas exatamente isso não poderia ter sido feito por qualquer um? É arte quando qualquer pessoa tem a possibilidade de fazer exatamente o mesmo? É arte quando percebemos que o valor delegado a determinado objeto artístico é reles e simplório? Bom, eu costumo reclamar bastante da Clarice com relação a este livro: Para Não Esquecer. E ainda costumo completar: Este livro eu prefiro esquecer. Porém, Solange, no mesmo livro que eu tanto reclamo e critico (não é apenas uma crônica que me passa a sensação de simploriedade) , existem outros textos bem do estilo Clarice de ser, então, minha crítica fica pela metade, ainda que a mesma persista sim.Solange, não se preocupe com chatices... como já estamos falando desde que passamos a trocar impressões sobre os textos, respeitamos opiniões alheias, não deixando de lado e jamais deixando de defender o que pensamos, sentimos e acreditamos. Eis aí uma incrível e fascinante maneira de trocar impressões diversificadas. E por último, mas não com menor importância, digo o seguinte: aprecio exacerbadamente teus comentários críticos e explanatórios, mesmo aqueles que não estão dentro da minha linha de entendimento e argumentos, pois sei perceber o quanto não existe uma resposta apenas e por isso é tão importante cada um se manifestar conforme o que sente tocar-lhe nas vísceras, seja de concordância com uma grande maioria, seja de discordância total. Com embasamentos feitos não temos motivos para rechaçar a opinião que for.

Fernanda R. Barros · Porto Alegre (RS) · 9/7/2010 14:31
Fernanda R. Barros,Você sabe como analisar um texto, se portar como grande crítica.Seu comentário sobre a obra da Clarice Lispector é excelente, em seus detalhes ficamos conhecendo mais a escritora e admirando-a também mais.Parabéns!Abraço carinhoso.

Paulo Valença · Recife (PE) · 9/7/2010 17:16
Ok, Fernanda: fizeste a expanação do seu ponto de vista à Clarice e, por minha parte deixei minha opinião a obra da escritora. Embora, formada em Literaturas nunca tive meu foco para elas e, sim para a língua portuguesa, em especial, para a Pragmatica Linguística. Razão , pela qual não discuto o que não conheço com profundidade, mesmo que os meus embasamentos teóricos não se encaixem ao seu brilhantismo nas literaturas. Respeito sua posição e pronto...mas, sempre tive muito cuidado para saber aonde meus olhos são colocados no ponto. Ao citar a crônica acima que te levou a uma opinião contraria do escrito de Clarice, e ao escrever que qualquer pessoa poderia escrever a frase: "Você compreende, não é, mamãe, que eu não posso gostar de você a vida inteira". Não vos julgo com verossimidade seu ato senso critico -literário, uma vez que aprendi que a o autor não escreve para o leitor e, sim para ele. A compreensão e interpretação é que se fará presente em cada um dos leitores. Desculpe, mas é dessa forma que analiso a discussão aqui postada. Quanto aos meus comentários criticos e explanatórios não os faço, mediante a procrura de respostas , mas com a absoluta certeza daquilo que de fato analisei e concluir. Até a próxima explanação, termo tão academico usado por você! Abraços. Solange.

Solange Gomes da Fonseca · Curitiba (PR) · 9/7/2010 19:28
digo: explanação...

Solange Gomes da Fonseca · Curitiba (PR) · 10/7/2010 01:17
Em uma análise mais crua, o texto traz em si a idéia de que nem sempre nos descobrimos padecendo mil males internos e externos, porém, exatamente por isso, exatamente por não nos vermos dessa forma agônica, em todo e qualquer momento, que vamos arrumando motivos para que algo nos prove o quanto estamos melancólicos. E paradoxalmente, o texto demonstra que alguém pode se sentir terrivelmente entristecido por um único fato: não estar triste ou por não existir motivos, embora sinta algo como “querer consolar-se da angústia e da dor, mas simplesmente possuir uma simples e tranqüila alegria”.

REALMENTE, ESTA FORMA DE ENTENDER A LITERATURA DE CLARICE LISPECTOR, SALTA AOS OLHOS DE QUEM TEM A PERCEPÇÃO AGUÇADA COMO VOCE.
PARABÉNS PELA ASSERTIVA NOS ESTUDOS, NA FORMA E NA EXPRESSAO DA DOR, QUE LITERALMENTE RETRATA UMA ÉPOCA EM QUE AS MULHERES NÃO TINHAM TAMANHA CAPACIDADE DE INTEGRAREM O MUNDO.
O ESTRANHO, É QUE ELA ERA UMA ESTRANHA NO NINHO DO FALCÃO. E VENCEU. PARABÉNS.


Beto Santanna · Magé (RJ) · 8/3/2011 05:36
depois de ler esse seu texto sinto uma enorme obrigaçao em ler o conto da clarice que foi citado e muito bem comentado por vc, acho que quando temos um outro tipo de dor, a dor que se sente quando ela fica ausente, pensei sobre isso no decorrer da leitura do texto, fiquei assim :) novamente ao ler mais um texto seu moça inteligente.

Marcel · Reino Unido · 3/7/2011 00:54
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