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Livro ecologicamente correto
 
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Georges Kirsteller, São Paulo (SP) · 8/6/2010 · 53 votos · 2
Georges Kirsteller
Das inscrições na pedra ao papiro, do papiro ao livro impresso. Do pdf ao ebook.
A grande onda atual é a preservação da vida sobre a Terra. Nada mais do que justo, é bem verdade e seria simplesmente estúpido tentar contradizer essa necessidade. Todos, cada ser humano sobre a Terra tem a sua parte a fazer nessa missão.

Desde sempre acostumamo-nos a aceitar que a Literatura tem, como uma de suas funções, formar opiniões, informar, divulgar tendências, expor necessidades e – às vezes – trazer à tona soluções para problemas que assombram a humanidade.

Portanto, é de se esperar que, também nesse aspecto – a ecologia – ela venha auxiliar na preservação da vida sobre a Terra.

Numa visão rápida, conseguimos vislumbrar que isso até seria bem simples. Bastaria que se fizesse força para publicar – e divulgar – matérias e obras sobre esse tema, reforçando a idéia de que, por exemplo, preservar o verde seria o primeiro caminho. Não desmatar, florestar e reflorestar, não poluir o ar e a água...

Mas a própria literatura, para existir na forma de livros e outras publicações, já é uma séria inimiga da ecologia. Isso é muito fácil de se constatar, bastando observar que, para a produção de apenas uma centena de jornais do porte de “O Estado de São Paulo” de domingo, são necessárias no mínimo duas árvores adultas apenas para a matéria-prima do papel. Calcule-se, portanto, que para a tiragem de domingo alguns milhares de árvores tiveram de ser abatidas.

Transporte-se esse mesmo cálculo para as revistas semanais, sempre com tiragens de centenas de milhares de exemplares cada uma. E, por fim, chegamos aos livros...

Só no que diz respeito ao segmento de trilha autor-editor, ou seja, o material gasto para o autor enviar o editor o seu original – e isso, sem levar em conta erros e papel rasgado e jogado fora – são números assustadores. São minimamente 40 mil exemplares recusados por anos pelas editoras comerciais no país. Se computarmos que a média de peso em papel de um original é de 500g, só aí teremos nada menos que 20 toneladas de papel. É o equivalente a 4.000 árvores adultas derrubadas. Papel que normalmente vai para o lixo, sem nem mesmo ser lido.

E, para aqueles “sortudos” que tiveram seus livros aceitos e publicados, o machado e a motosserra, mais uma vez, para uma produção de apenas 1.000 exemplares de um livro comum (com uma média de 144 páginas) são derrubadas e processadas cerca de 80 árvores adultas. Ora, sabemos que uma tiragem comercialmente viável é de 3 mil exemplares, portanto, será necessário derrubar 240 árvores para cada título. Também sabemos que uma média de 30% de cada edição “encalha”. Se considerarmos esse “encalhe” como desperdício, teremos uma média de 80 árvores desperdiçadas por edição. E, se levarmos em conta que o número de novos títulos produzidos no mundo, por ano, é de aproximadamente, 1.000.000 teremos derrubado nada menos que 30 milhões de árvores para essa produção e desperdiçado 270 mil árvores adultas.

Ora, nós todos que, de alguma maneira, estamos envolvidos com a Literatura e a produção de livros –vale dizer, com o consumo de papel – temos como obrigação diminuir esses números e, consequentemente, auxiliar na preservação do verde.

Atualmente, na Era da Informática, temos a oportunidade de fazer isso. E sem detrimento nenhum de produção e mesmo de resultados financeiros, muito pelo contrário.

Inegavelmente, os e-books vieram para ficar. É verdade que ainda estão engatinhando no mercado, sofrendo toda sorte de experimentos. Mas é uma questão de tempo – pouquíssimo tempo – para que eles encontrem seu nicho e sua adapatação. Então, seremos nós que teremos de nos adaptar, caso queiramos sobreviver.

E, entenda-se por “nós” todos que, direta ou indiretamente, estejam ligados à atividade literária, desde a produção da Literatura até à venda dos livros prontos e acabados, implicando desde o autor até o balconista da livraria.

Na realidade, não importa qual será o “leitor” a ser utilizado, se um iPad, um Kindle, ou até mesmo um iPhone. Interessa que a leitura não será mais em papel. Pelo menos a grande massa de leitura. Assim, um usuário de iPhone ficará imensamente feliz se puder dispor de algum tipo de leitura nesse seu aparelho, durante 10 ou 15 minutos de folga durante o dia. É mais ou menos evidente que essa leitura terá de ter algumas características especiais, por exemplo, deve ser curta. Para ser lida realmente em 15 minutos. Portanto, os autores terão de se adaptar. E poderá estar chegando a vez – finalmente – dos contistas e cronistas, ultimamente bastante e injustamente desprezados pelas editoras ditas convencionais.

E um executivo gostará de poder levar o livro que está lendo para qualquer lugar, especialmente para a sala de espera, naqueles terríveis e entediantes chás-de-cadeira que normalmente antecedem uma reunião... sem ter de carregar o peso do livro. Ele estará na memória de seu notebook, disponível no instante que ele quiser.

Não se trata de empolgação com a tecnologia. O surgimento e a consolidação da internet nos últimos 15, 20 anos, já são fenômenos históricos. Daqueles que serão estudados daqui a 50 anos nos livros de história. Nos livros? Ou será num iPad? Estamos participando de momentos, de marcos históricos que redefinem os comportamentos, as relações sociais e a economia. Pensemos no impacto tremendo que a troca de arquivos gerou nas indústrias como a do disco e dos jornais. Na possibilidade que um software como o Skype traz de conectar de graça dois opostos do mundo, com qualidade de imagem e som cada vez melhores. De como um dispositivo pequeno como o Kindle pode conter milhares de livros ― uma biblioteca gigantesca em nossas mãos. Ou em como hoje a informação circula livremente por aí. Mas é possível compreender que quem tem seus mercados chacoalhados tenha dificuldade em mudar e em abandonar o velho ― que é o que melhor sabem fazer.

Mas todos sabemos que é fundamental mudar. Mudar para sobreviver, não apenas para progredir, para acompanhar o desenvolvimento do ser humano. Mudar, também para salvar a vida sobre o planeta.

Os livros já foram orais, escritos em pedra, em papiro, em madeira, por fim em papel. Agora, eles tendem a ser digitais. E com incontáveis vantagens sobre o seu antecessor em papel, por exemplo, o que diz respeito ao fator ecológico. O livro digital não implica em árvores derrubadas, em verde destruído, em mau cheiro na produção de sua matéria-prima.

Uma Editora que se preocupa com a preservação do meio-ambiente e está consciente e alinhadada com os problemas relativos à evolução tecnológica, está lançando o PACOTE EDITORIAL ECOLOGICAMENTE CORRETO, em que a tiragem de exemplares em papel existe, mas é efetuada de acordo com a demanda, evitando-se o excesso de produção e conseqüente desperdício de papel, e o foco principal está na produção do livro em formato adequado para e-book.

Dessa maneira, o autor paga apenas pela preparação do livro (revisões, copydesk, capa, prefácio, orelhas, quarta capa, diagramação, projeto gráfico e arte final), recebendo 20 (vinte) exemplares em papel GRATUITAMENTE. O livro ficará à venda na livraria do site e será apresentado para distribuição junto às principais redes de livrarias de todo o país, bem como ficará à disposição para negociações junto às editoras especializadas em e-books.

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Com todo o respeito, o autor realmente acredita que “evitar a derrubada de árvores” é o mesmo que “preservar a natureza (o verde)”? Mais: acredita que ler um livro no computador é mais “natural” que lê-lo no papel? Acho que você desconhece totalmente o processo de fabricação de um computador, da exploração de recursos naturais necessária, do lixo produzido... Sem falar na mão de obra utilizada no processo (que, em sua maioria, é escrava ou infantil – apesar de estarmos no século XXI). Repense seus conceitos e amplie sua visão crítica.

Sodine Üe · Nova Iguaçu (RJ) · 6/6/2010 15:16
Por favor, lembremos que, ao menos no Brasil (e em grande parte do mundo) a produção do papel se faz a partir de árvores plantadas para isso - uma cultura assim como a da produção de grãos e de outros bens de consumo. Que a produção de livros gere impactos ambientais isso é óbvio, como toda atividade humana sobre o planeta, mas o corte de árvores não é o mais significativo, tampouco o impacto total dessa produção pode ser considerado pior do que o gerado pela indústria de eletro-eletrônicos. Rever nossos padrões de consumo quanto a veículos, desperdício de material (inclusive alimentos) me parece mais efetivo. Entretanto, destaco isso apenas para frisar que o formato do livro é apenas um veículo que de fato varia ao longo da história. Importa é a arte, a obra, o impacto do texto.

Maurem Kayna · Guaíba (RS) · 18/3/2011 17:09
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