O conto “Café da manhã no inferno”, de Bruna Coletti, foi o segundo colocado no Concurso da Ofício Editorial.
Fizemos uma breve entrevista com ela e foi-nos autorizado transcrever o conto na íntegra. Deixaremos aqui os dados de Bruna para que vocês possam entrar em contato com ela e pedimos a gentileza de, se desejarem reproduzir algum trecho do texto, peçam a autorização para a escritora.
■Nome | Bruna Luizi Coletti
■Biografia | Nasceu no interior do Paraná. Adepta da leitura desde muito cedo, começou a escrever poesia aos 10 anos de idade. Na adolescência, passou a dedicar seus escritos a contos de ficção, terror e fantasia.
Possui muitos contos escritos, porém nenhum publicado. Atualmente vive no litoral catarinense onde se dedica exclusivamente a escrever e melhorar suas histórias fantásticas.
■Blog |
http://becoletti.blogspot.com/
■E-mail |
brunalc03@gmail.com
■Twitter |
http://twitter.com/BrunaColetti
■Facebook/ Orkut |
http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=42545935
Conte a sua relação com a escrita
Bruna | Desde pequena meus pais sempre foram bons leitores e me incentivaram muito por esse caminho. Aos 10 anos comecei a escrever poesias no colégio, e percebi que gostava de escrever e ser apreciada por isso, porém deixei esse hobby de lado após alguns meses. Aos 17, impulsionada pelos livros que lia e pelas músicas de metal pesado, voltei ao papel e caneta com histórias fantásticas e sanguinárias que fluíam facilmente. Desde então, nunca mais consegui segurar essa torrente de palavras, apenas moldando e aperfeiçoando o estilo da escrita, mas não desviando do foco do terror e do fantástico.
A escrita tem relação com sua profissão?
Bruna | É o que eu espero! Passei alguns anos escuros tentando me adaptar aos números, quando cursei bacharel em química. Mas de nada adiantou eu tentar refrear meus impulsos, e agora em 2010 inicio o curso de letras-português, e espero passar o resto da minha vida entre letras e palavras.
Qual é a sua rotina para escrever: desde quando, em qual hora do dia, com que frequência, como, onde etc. escreve?
Bruna | Sou uma criatura de hábitos noturnos. Escrevo e penso melhor entre a hora que o sol de põe até alguns minutos antes do nascer do sol. A frequência e local são independentes, desde que os solos de guitarra e as passagens de bateria possam ser os únicos sons ao meu redor. A música é a minha melhor companheira de aventuras literárias.
Quais são seus escritores favoritos?
Bruna | Stephen King sempre será meu maior ídolo e fonte de inspiração. A versatilidade dele me impressiona, e as descrições de personagens e ambientes é fantástica. Cada passagem de suas histórias posso ver em minha mente com todas as cores.
Machado de Assis, na fase realista. É impressionante como alguém pode analisar e transpassar no papel tão bem o caráter (e a falta do mesmo).
Sobre esse seu conto: como foi o processo de escrita? (Como você escreve, se estrutura todo o conto antes de escrever, quanto tempo leva, se reescreve, se pede para amigos lerem etc.)
Bruna | Esse foi o primeiro conto que eu escrevi nessa linha de ficção/terror. Foi algo extremamente novo, e surgiu a partir da imagem da janela com a árvore seca. Essa tela se formou na minha mente, e aos poucos todo o quadro foi se pintando em torno disso, com o sangue, o canibalismo e a imagem translúcida e atormentada da órfã solitária. Só deu tempo de pensar “preciso escrever isso!”. Era no meio da tarde e eu trabalhava como operadora de caixa numa loja de confecção. Me apossei do Word 98 do computador do crediário e bati as duas folhas com uma fúria inimaginável. A história fluiu assim, do começo ao fim sem pausas. O título foi mudado inúmeras vezes, e até hoje não me contento com ele! Mas foi assim que ficou conhecida, e café da manhã no inferno foi o conto que abriu meus olhos pra esse novo hobby, que hoje é uma das minhas maiores fontes de prazer!
O que é mais importante: ter uma ideia inovadora ou um desenvolvimento bem trabalhado?
Bruna | É uma amálgama dessas duas coisas. Uma ideia ruim dificilmente pode valer a pena, mesmo muito bem trabalhada. E uma ideia boa perde o brilho quando não é bem elaborada.
Para você, o que é qualidade na obra literária? Como você avalia o que você escreve? Você relê e reescreve a primeira versão de seu texto?
Bruna | Antes de observar a estrutura da escrita, a primeira coisa que observo é o enredo. A história precisa prender, deixar aquele gostinho de “e agora?”. Os personagens devem ser marcantes, as frases precisam ter impacto. As ações devem correr naturalmente, e as coisas devem ser sentidas como uma bofetada na cara do leitor. Nada é mais pedante do que ler algumas linhas e já deduzir toda a história. A surpresa é o melhor tempero para um bom conto. Depois analiso a estrutura geral do texto.
De sua experiência com a escrita, qual foi a lição mais valiosa que aprendeu?
Bruna | Não existe nada melhor do que um leitor critico e anônimo. As maiores melhorias que eu tive na minha forma de escrever foi ouvindo atentamente as análises de pessoas desconhecidas que leram os meus contos na internet. Porque amigos e parentes sempre vão ver seus pequenos deslizes literários com olhos condescendente, mas o desconhecido não terá medo de te aplaudir com eloquência ou vaiar furiosamente. E é aí que você percebe vícios de escrita ou furos que, quando corrigidos, deixam a leitura muito mais agradável.
Acho que é isso pessoal! Muito obrigada pela oportunidade maravilhosa de poder divulgar um pouquinho o meu trabalho! Bons pesadelos a todos, e espero continuar fazendo meus leitores dormirem de luz acesa por muito tempo!
Bruna Coletti.
O conto "Café da manhã no inferno" pode ser lido em
http://blog.oficioeditorial.com.br/2010/02/03/entrevista-com-bruna-coletti/ . Aproveite para deixar seu comentário para a Bruna!
Saudações,
Ofício Editorial
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