*publicado originalmente na newsletter da Blooks Livraria.
O cinema visto por dentro: roteiro e crítica
Um filme conta sua história não apenas por meio do diálogo e da atuação, mas também pela direção de cena, que indica um estilo. É esta a apresentação que a Papirus Editora faz do livro
Figuras Traçadas na Luz: A Encenação no Cinema, do americano David Bordwell. O livro mostra de que modo a encenação cinematográfica revela a trama, transmite a emoção e encanta o espectador com o auxílio da composição pictórica.
Professor, crítico e estudioso do cinema, David Bordwell percorre a história do cinema e ilustra suas análises com mais de 500 fotogramas de filmes, com destaque para as contribuições de quatro diretores: Louis Feuillade, mestre das séries da década de 1910, cuja produção é examinada em profundidade;
Kenji Mizoguchi, o grande cineasta japonês do período entre 1920 e 1950;
Theo Angelopoulos, que começou sua carreira como um modernista político, no final dos anos 1960, e
Hou Hsiao-hsien, que na década de 1980 se tornou o mais proeminente diretor asiático. Em perspectiva, Bordwell tece comentários sobre filmes de diversos cineastas importantes, como Howard Hawks, Michelangelo Antonioni, Ozu Yasujiro, Kitano Takeshi, entre tantos outros.
Em seu site [em inglês],
David Bordwell comenta sobre o livro
Figuras Traçadas na Luz (Papirus), capítulo a capítulo.
Figuras Traçadas na Luz: A Encenação no Cinema, de David Bordwell, Editora Papirus. R$ 79,90
Um rápido passeio pelo cinema de Theo Angelopoulos
Um dos cineastas estudados por David Bordwell em seu livro, Theo Angelopoulos apresentou no último Festival de Berlim seu filme mais recente,
Dust of Time. Confira a entrevista do cineasta e parte do elenco, concedida durante o Festival, em fevereiro deste ano
aqui.
Leia a
crítica de Luís Carlos Merten, em O Estado de São Paulo, sobre a obra de Theo Angelopoulos e o mais recente filme do diretor,
Dust of Time, ainda sem data de lançamento no Brasil.
Uma investigação sobre o roteiro do documentário
Se no filme de ficção a escrita do roteiro ocorre integralmente no período de preparação, anterior à pré-produção e à filmagem, no documentário essa escrita muitas vezes se estende por todo o processo de realização - trata-se de uma escrita aberta. Com base nessa constatação,
Roteiro de Documentário: Da Pré-Produção à Pós-Produção (Papirus), de Sérgio Puccini, tece considerações sobre as três etapas de uma produção cinematográfica: pré-produção, filmagem e pós-produção, ressaltando o papel de cada uma na construção do documentário.
Lançado pela Papirus Editora, o livro mostra ainda que a possibilidade de se trabalhar com um roteiro aberto faz com que funções técnicas, como direção de fotografia e edição, tenham maior participação criativa no filme, chegando, em alguns casos, a dividir os créditos de autoria.
Roteiro de Documentário: Da Pré-Produção à Pós-Produção, de Sérgio Puccini, Editora Papirus. R$36,90
Doutor e Mestre em Cinema pela Unicamp, Sérgio Puccini também escreveu
Amanha. Aqui. Nesse Mesmo Lugar.(Javali) . Aqui. Nesse mesmo lugar (Javali, 2008) e roteirizou e dirigiu (com Alessandra Brum) o curta-metragem
Voltei para Buscar os Bolinnhos (SP, 16mm, 15mins, 2007). Assista a um trecho do filme
aqui.
DVDs em lançamento. Reserve:blooks@blooks.com.br
Na mesma caixa, dois curtas de Jean Renoir:
Sur Un Air De Charleston (1927), que se passa em 2028, numa Paris pós-apocaliptica; e
On Purge Bébé (1931), filmagem do vaudeville de Georges Feydeau, em que o Sr. Follavoine, inventor do primeiro urinol de porcelana inquebrável, convida um funcionário público, o Sr. Chouilloux, para almoçar em sua casa com o objetivo de assinar um contrato de venda para o exército francês. Ao mesmo tempo, sua esposa, Julie Follavoineesta, tenta em vão dar um purgante ao filho, Toto. Na confusão que se segue, os urinóis de Follavoine não se mostram tão indestrutíveis e Toto não é o único a experimentar o desagradável remédio.
Maurice, direção James Ivory (1987) - Após ser apresentado a Lord Risley em uma de suas aulas, Maurice Hall, jovem estudante de Cambridge, é convidado a participar de um clube privado de discussões. Em busca do local onde seria realizado o encontro, conhece Clive Durham, e os dois tornam-se imediatamente amigos inseparáveis. A medida que se tornam mais íntimos, ambos percebem que estão se apaixonando, mas evitam confessar a natureza de seus sentimentos, uma vez que a homosexualidade, além de socialmente condenada, ainda era considerada crime na Inglaterra do século XIX.
Naked, direção Mike Leigh (1993) - A personagem principal é o anti-herói dos anos 90, um homem que procura nos outros a razão para viver, sendo contraditoriamente frio, cínico, imoral e, ao mesmo tempo, interessado e apaixonado. Mostra a nudez das contradições dos pensamentos e falsas aparências. Uma descida incômoda no universo sórdido, amoral e violento das grandes cidades européias. Obra desconcertante e emocional de um dos maiores cineastas ingleses modernos, Mike Leigh, e que conta com a premiada interpretação de David Thewlis.
Kes, direção Ken Loach (1969) - Um dos primeiros filmes da carreira do consagrado diretor Ken Loach, Kes conta a história de um menino que vive em bairro pobre da cidade. Violentado em casa e ridicularizado na escola, ele acha uma forma de abstrair de sua dura realidade treinando um falcão. Poética e singela obra de formação do cineasta, que posteriormente realizou obras-primas como Terra e Liberdade e Pão e Rosas
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