N.Fink: tá aí um nome que nunca consegui entender. Dizem que é pseudônimo de Noder Fink; dizem [jornalistas Marcelo Mourão Filho e Antonieta Martín] que é uma referência à parábola "Another Anything", e pior ainda: dizem que não é nada, coisa de palavra em som, apenas porque o som da pronúncia é bonito.
Me ligou ontem. Disse que estava no aeroporto e que o Rio de Janeiro não tinha graça sem o Pisca. "- Pisca"? Perguntei, claro que perguntei, oras. Mas ele não respondeu e disse que investigasse.
Não deu tempo: fui contrá-lo no aeroporto, mostrou-me uma das cartas recebidas de Carlos Drummond de Andrade, o Pisca. "- Eram amigos?" Perguntei, claro que perguntei, oras. Mas ele não respondeu, e o Google também não. Pensei que as cartas eram para leiloar para alguns fanáticos pelo "Pisca".
N.Fink tomou o café como o meu, tanto forte como incrível que pareça, e fomos conversar sobre a publicação em língua portuguesa de seu único livro, o "Cova Cotidiana" que é de 1989, ano em que eu nasci, e que foi publicado só para os amigos, em hebraico.
Enfim, perguntei, claro que perguntei se o "Pisca" não tinha recebido o livro. Mas ele não respondeu e fiquei meio na dúvida se insistia. Insisti e ele disse que talvez.
N.Fink é cabalista, estuda os mistérios da Cabala, e mesmo eu sendo judeu, falamos pouco sobre intimidades. Perguntei sobre o primeiro romance dele e a única coisa de nova foi que ainda não tinha nome e nem mais de três capítulos, mas que também iria ser publicado pelo Lítero. Perguntei sobre a Gestalt que ele vinha desenvolvendo e ele me perguntou sobre o Realtragismo. Falei sobre os avanços na Filosofia da Tragédia, sobre a alienação política contemporânea pela anulação da Representatividade, enfim: mostrei-lhe o artigo sobre a Decadência da Democracia, ele gostou, sorriu e prometeu ajudar.
Quando toquei no timbrismo ele se deslanchou. Agradeceu-me pelo novo nome e pela conceitualização que dei ao
Signifismo [antes era assim que se chamava, se é que o chamavam e conheciam].
Fiz piada: ele fez um
blog e um
twitter, enquanto eu vou excluindo os meus. hehe essa é boa.
Assim a literatura veio aplaudir a volta de um dos melhores poetas e intelectuais que o Brasil tem vivos. O resto é conversa em Hebraico, ou seja: intraduzível.
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