E no início era o verbo…
Numa plataforma petrolífera, quis o destino unir duas pessoas: uma jovem e um homem mais maduro. Ele, com uma cegueira devido a uma explosão. Ela usava seu aparelho de surdez apenas quando queria ouvir as vozes do mundo…
Como ela chegou ali? Por conta de umas férias forçadas…
Ela estava incomodando os companheiros de seção. Agora, vejam vocês o porque desse incômodo. Era o seu silêncio. Ela queria apenas cumprir somente a sua função. Incansável. Fazia o seu trabalho sem incomodar ninguém. Sem reclamar. Como se isso fosse ferir alguém. Mas para eles, ela não fazia parte daquela engrenagem. Então, seu chefe a obrigou a sair de férias.
Assim, foi parar num local à beira-mar. E estando num restaurante, ouve parte de uma conversa numa mesa. Precisavam de uma enfermeira na plataforma. Por conta das queimaduras, alguém ainda não podia ser removido de lá. Então se ofereceu. Teria algo para fazer novamente. Algo para ocupar seu tempo. Não ter tempo de ouvir a sua voz interior…
Naquela imensidão azul, havia um grupo pequeno. Que por lá permaneceram até saber quais seriam seus novos locais de trabalho. Seus novos destinos… Um grupo reduzido, mas que pareciam ter algo em comum… E aos poucos foram contando suas histórias para ela.
Achei interessante o título desse filme: “A Vida Secreta das Palavras”. Se de um lado, por elas há até o perpetuar certas atrocidades, por outro, ao proferi-las há algo meio catártico…
Que dizer então, de ouvir, ler, ver não apenas os registros das atrocidades existidas na História da Humanidade… Mas também por aqueles que as vivenciaram…
“
Sabe quanto sangue, quantas mortes? Sabe quanto ódio cabe nestas fitas? Sabe por que as gravamos? Antes do holocausto, Adolf Hitler reuniu os seus colaboradores e para convencê-los de que o seu plano funcionaria, perguntou:” Quem se lembra do extermínio armênio?”. Foi isso o que ele disse.
Trinta anos depois, ninguém lembrava que um milhão de armênios tinham sido exterminados da maneira mais cruel possível.
Dez anos depois… Quem se lembra do que aconteceu nos Bálcãs? Os sobreviventes. Ou os que por alguma… virada do destino, viveram para contar.“
O filme vai nos levando de mansinho… Como num livro… Não há pressas em dizer; em contar… Mas aos poucos, naquela plataforma, aquelas poucas pessoas… Querem enfim, contar, falar… Soltar aquilo que estava guardado… E eu confesso que chorei, quando finalmente a personagem “soltou” a sua história, ou… as suas palavras…
Amei esse filme! Nota: 10.
Por: Valéria Miguez (LELLA).
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