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“A literatura infantil está mais livre e imaginativa”, defende premiado escritor
 
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Pluricom Comunicação Integrada, São Paulo (SP) · 23/10/2009 · 70 votos · nenhum
Para o renomado escritor italiano Carlo Frabetti, a curiosidade e o desejo de liberdade são as principais forças que levam o ser humano a ler. Nesta entrevista, às vésperas de sua vinda ao Brasil para participar da Jornada Literária de Passo Fundo, Frabetti reflete sobre a literatura e, em especial, a literatura infantil e juvenil na atualidade.

Formado em Matemática, membro da Academia de Ciências de Nova York, além de roteirista, tradutor e diretor de programas de televisão, Carlo Frabetti é autor de mais de quarenta livros para crianças e adultos, que lhe renderam importantes prêmios literários, entre os quais, o Prêmio Jaén de Literatura Infantil e Juvenil em 1998 com O grande jogo, e o Prêmio Barco a Vapor (Espanha), em 2007, com Calvina.

No Brasil, publicou O vampiro vegetariano, O mundo flutuante e Calvina, por Edições SM. Durante a Jornada Literária de Passo Fundo, que acontece e 26 a 30 de outubro, Frabetti conversa com escritores e jovens leitores no dia 29, às 14h, durante a Jornadinha. Às 20h, faz a conferência A indústria cultural e a formação de leitores, no Circo da Cultura.

Como começou a escrever? Isso tem alguma coisa a ver com sua formação inicial, como matemático?
Comecei a escrever para dar continuidade à grande paixão que eu tenho pela leitura, e a lógica e a matemática sempre tiveram um papel importante no que eu escrevia.

Como Lewis Carroll, o senhor é um matemático com forte apreço pelo nonsense, como bem se pode ver em Calvina. O rigor lógico aguça a percepção do absurdo? A coerência e o método favorecem a irrupção da fantasia?
Lógica e absurdo estão em relação dialética, se definem mutuamente. Faço uso do nonsense, mas ainda mais da paródia. E uma paródia, como já dizia Hegel, é uma verdade de ponta cabeça.

Ainda com relação a Calvina, um dos temas centrais do livro é o potencial curativo da ficção, o efeito organizador da leitura. A sobrevalorização de tal efeito, que é objeto de estudos empreendidos por psicólogos, pedagogos etc., não corre o risco de converter a leitura em panaceia, antídoto universal contra o caos contemporâneo?
A leitura não é uma panaceia, mas sim um dos poucos espaços de serenidade e liberdade que temos no meio do caos publicitário e pseudoinformativo.

Como o senhor avalia o impacto das novas tecnologias sobre a leitura?
Não acredito que o suporte tenha muita importância. Nem que o tédio estimule a leitura. É a curiosidade que nos impulsiona a ler, e também o desejo de liberdade.

O que pensa sobre os hábitos de leitura das crianças e jovens hoje? O senhor está entre aqueles que acreditam que a era das imagens (televisão, internet) afasta os jovens dos livros?
Não creio que os meios audiovisuais por si só sejam inimigos da leitura. São seus conteúdos alienantes que afastam as pessoas da reflexão. O suporte, para mim, não é importante; o importante é a relação entre leitor e texto.

Qual é a diferença fundamental entre produzir livros para crianças e adolescentes e para o universo dos adultos?
As crianças têm uma experiência de vida mais limitada, e isso afeta o plano conotativo da linguagem. Eles também têm interesses e preocupações distintas das que são normais para os adultos. O escritor deve levar isso em conta.

O senhor costuma se encontrar com crianças e adolescentes para conhecer suas impressões sobre seus trabalhos literários?
Sim, e é um dos aspectos mais gratificantes do meu trabalho. Sempre considero as opiniões das crianças.

Qual é a realidade da literatura infantil e juvenil hoje na Europa? Nos últimos vinte anos, a literatura infantil mudou bastante na Europa; se tornou menos “moralizante”, menos pedagógica e agora está mais literária, mais livre e imaginativa.

Como vê o advento das grandes produções e fenômenos editoriais, como Harry Potter e as sequências cinematográficas? Creio que é melhor que leiam Harry Potter do que não leiam nada. Mas é triste que somente a má literatura tenha grande êxito.

O senhor tem informações sobre os programas que a tevê brasileira produz para o público infanto-juvenil? Se sim, qual a sua opinião a respeito? E em relação à qualidade das produções italianas?
Não conheço as produções brasileiras. Na Itália e na Espanha, salvo raras exceções, os programas infantis são banais ou “emburrecedores”.

Como é seu processo de criação? Como concebe e realiza as suas histórias?Eu começo a escrever quando o tema ou a história do livro já está instalada na minha cabeça há algum tempo. Escrevo muito depressa a primeira versão, mas reviso e corrijo os textos muitas vezes.

Quais são as suas atividades mais recentes e projetos futuros?Meu último livro inédito se chama “Tutilimundi”: todos os mundos dentro de uma caixa. E tenho um projeto de introdução à física em forma de romance, na mesma linha de “Malditas Matemáticas”.


tags: São Paulo SP entrevista


 
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