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À Deriva - de Heitor Dhalia
 
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Rozzi Brasil, Rio de Janeiro (RJ) · 10/9/2009 · 42 votos · 1
divulgação-edição RBrasil
Laura Neiva
À DERIVA
Conteúdo
Heitor Dhalia depois de Nina e o Cheiro do Ralo, vem como diretor e roteirista do filme À Deriva que tem uma riqueza de detalhes digna de uma reconstituição arqueológica e também escarafuncha nossa alma através do drama alheio, ao nos colocar frente à uma realidade que de uma forma ou de outra conhecemos, seja por termos vivido, seja por termos ouvido em comentários ou em tom de desabafo de algum amigo e por que não, amiguinha de infância? O filme nos remete a vários pensamentos e passa de uma forma se não contundente, muito tocante a mensagem de que não devemos julgar com precipitação, pois nem tudo o que nos parece é. Tudo isso embalado por belas imagens, fotografia linda, ângulos bonitos e uma trilha sonora eficiente. O filme se passa numa casa de praia, com uma família até então prefeita em temporada de férias. Mostra uma grande turma de adolescentes e suas descobertas, mas tem cenas internas escuras e algumas tomadas da praia tem um contraste do cinza dos rochedos e um certo tom pastel como que a mostrar que nem tudo é alegria nos momentos que deveriam ser felizes. O bacana desse filme é que vamos descobrindo todas as coisas junto com as personagens. É surpreendente, por isso não dá pra achar chato, como alguns que o viram antes de mim comentaram. Podemos nos questionar com relação até que ponto somos responsáveis pelo que nossas atitudes vão gerar em nossos filhos. Qual o limite das coisas que devemos dividir com eles. O quanto eles podem saber sobre nós sem que percebamos e o quanto eles idealizam sobre nós sem que saibamos. Crescer dói e a história universalíssima deste filme nos informa que chega um momento na nossa vida que não dá para nos recusarmos a crescer e este processo uma vez iniciado, não terá fim jamais e nós, por mais que tenhamos uma idéia do que queremos ou de para onde desejamos ir, estaremos sempre à deriva. À Deriva é um filme emocionante, por ser verdadeiro. Filipa ( Laura Neiva, em seu primeiro trabalho - descoberta pelo diretor através do Orkut, flerta feroz e displicentemente com a câmera que ora mostra uma menina, ora mostra uma quase-mulher, sempre um rosto anguloso gostoso de ver) está se descobrindo como mulher. E nós sabemos que isso significa: Querer ao mesmo tempo que não se quer. Querer para não saber o que fazer quando conseguimos... Ela exercita seu poder e influência, sobre Arthur ainda que não saiba exatamente o tamanho da sua “autoridade”. Filipa julga seus pais a partir das suas descobertas, segue investiga, observa e se no início aparece apegadíssima ao pai, para o qual parece dirigir um olhar ligeiramente incestuoso, pouco depois “compra o barulho” da sua mãe até perceber que precisa ter seus próprios problemas, até ouvir o chamado da sua própria vida. Não sei se intencionalmente, mas este filme parece dizer que existe mais de uma forma de ouvirmos este chamado. A mãe de Filipa, Clarice - na interpretação equilibradíssima de Débora Bloch afoga as mágoas em duas pedras de gelo e muitos dedos de whisky chegando a comover pela insanidade em que se move, apesar do mau exemplo que dá aos filhos. Ela tem a árdua tarefa de definir uma situação difícil, reveladora de sua natureza e que acaba por decidir com o raciocínio pressionado pela emoção, sem se reconhecer na decisão. Clarice está à deriva boiando à superfície dos seus sentimentos e na expectativa de outros sentimentos não seus. O irmão mais novo de Filipa faz um contraponto que mostra a total inexistência ou inutilidade do filho do meio, neste filme uma filha. Seu pai, Mathias (Vincent Cassel), um escritor francês nos aponta os caminhos do nosso pragmatismo, do quanto podemos estar errados ao julgar a partir do que vemos. Do quanto a nossa cultura nos leva a preconceber julgamentos que jamais se concretizarão dentro de uma razoável razão. É ele quem vai nos mostrar o quanto podemos ser capazes de nos renovar mediante certas situações, o quanto isso pode ser inútil e quanto o aceitar uma opção na qual não estamos incluídos pode nos fazer mudar nossos conceitos. É diante do inevitável fato consumado que Mathias entende o pensamento prático de Clarice vendendo os direitos do seu livro para um diretor de TV que não admira. A separação tem disso: Nos mostra uma força que não sabíamos que tínhamos e uma coragem que não sabemos de onde veio. Algumas descobertas levam alguns pelo caminho mais egoísta e tornam outros mais ternos. Esse filme tem as tintas exatas de todo um cenário de revolução de sentimentos, desejos, interesses e costumes de uma época e de algumas fases que passamos ou poderemos passar. Tem um clima de mistério de quem está descobrindo o mundo, a vida, a morte, a violência, o corpo, amor. Com muitas cenas aquáticas, sempre temos a impressão de que algo de grave virá após tantos mergulhos e bater de pés. Tem figurinos perfeitos, muito bronze, cenários paradisíacos e atores excepcionalmente bem escolhidos. Dá pra ver se não a nossa vida, nossos medos passando na tela, de uma forma que deixamos de dar importância à gaveta revirada e arma desaparecida, afinal Mathias, está tão ausente da família exatamente por estar inteiramente submerso e flutuando nela.
Bem, no início eu disse que Heitor Dhalia era o mesmo, não ninguém que entre em contato com esse filme pode continuar sendo o mesmo...

tags: Rio de Janeiro RJ artes-visuais a-deriva heitor-dhalia cinema debora-bloch separacao familia adolescente buzios praia vincent-cassel pais


 
O longa À DERIVA é um filme de repercursão internacional...Beleza..>Ainda não tive a oportunidade de assistir o filme, talvez até mesmo me faltou interesse em assistir um filme que usa imagens de um lugar e sai vendendo como se fosse outro...Muitas cenas do filme (como a da foto usada nesta página) foram feitas em Arraial do Cabo - situada também na Região dos lagos - que é considerada o primo pobre de Búzios e Cabo Frio...É uma pena ver que grandes produções preferem vender nomes de quem já está por cima utilizando de belezas e qualidades de um outro lugar...Infelizmente pessoas envolvidas com cinema - profissionais, amadores ou simplesmente amantes - criaram uma aversão ao longa por este fato...A cidade de Arraial do Cabo, também uma cidade turística, não tem nenhuma citação ou crédito por ter sediado as filmagens de um longa de tanta importância..É uma pena que grandes profissionais contribuam com essa injustiça que é feita..Em nosso dia a dia também...Onde empresas turísticas buzianas vendem passeios à Arraial do Cabo como se a cidade fosse continuidade do município de Búzios...As belezas de Arraial são incomparáveis e nós, moradores cabistas, estamos lutando para que a cidade seja reconhecida e que injustiças como a do longa não ocorram mais...E que venha o SUDOESTE!!!

D.Vieira · Arraial do Cabo (RJ) · 19/11/2009 14:17
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