Depois de haver escrito o rascunho do seu romance/novela/história curta, a primeira questão que você deve fazer poderia mesmo ser: "Eu provei a moral (o sentido profundo) de minha história?" Se você queria mostrar que a avidez levava à felicidade, você conseguiu prová-la em sua história? Ou era qualquer outra coisa que leva à felicidade? Finalmente, tendo procurado bastante: "Não, de fato, era a sorte a verdadeira causa da felicidade", responder-me-ia você.
Se for a sorte e não a avidez, então você deve reescrever seu rascunho de uma maneira na qual seja a sorte e não a avidez que leve verdadeiramente à felicidade. Você já havia decidido antes mesmo de começar a escrever que você acreditava em sua moral da história, e que isso valia a pena demonstrá-la.
Se você não provou a moral de sua história, você deve retornar ao seu manuscrito e olhar ainda uma vez o que você havia planejado, olhe as causas e os efeitos, e decida mudanças que você deve fazer a fim de que sua história possa provar esse sentido profundo e escondido.
Se você decide que com certo personagem, estava revelado que não se tratava de avidez, mas de sacrifício de si no final da história que terminou por levar à felicidade, então você deveria pensar em modificar sua moral da história mesmo nesse estado de escrita já avançado. Pois, se você jamais devesse mudar sua moral da história, seria preciso reescrever seu livro de uma maneira que a história pudesse provar efetivamente essa nova moral da história.
Pergunte se você tocou nas emoções do seu leitor, e se você lhe permitiu identificar-se com o personagem. Há uma cena ou um personagem que se presume simpático que se comporte repentinamente com crueldade ou de uma maneira estúpida, ou ainda com falsidade, até o ponto de perder seu temperamento simpático?
Seus personagens estão em oposição? Eles são apresentados da maneira mais eficaz, mais coerente e mais completa possível? Eles são suficientemente postos à prova de uma maneira que eles não possam escapar do confronto com o conflito? Eles têm paixões que os fazem vibrar? Eles são motivados? Eles tomam decisões claras? Eles são determinados? Você evitou os personagens-esteriótipos? (Você sabe, os personagens cujo gênero é muito fácil de identificar e nada original, exemplo: um John Wayne, um Super-man)
Seu personagem principal deveria desenvolver-se de uma maneira completa, você desenvolveu suficientemente seu personagem ?
Você mergulhou seus personagens em um conflito progressivo? Seus conflitos são estáticos? Eles fazem pequenos "booms" às vezes?
Seus conflitos são resolvidos de uma forma aceitável, de modo que se possa perceber uma boa coerência? Seu leitor teve a agradável impressão que sua história foi-lhe contada de uma maneira completa?
As cenas e os incidentes são suficientemente variados? As repetições são evitadas?
Sua história começa aí onde é preciso?
Você começou sua história muito cedo, de uma forma que toma tempo demais nos conflitos para decolar? Você começou sua história muito tarde? de modo que seu leitor seja mergulhado no conflito progressivo sem ter tido a chance de construir um mínimo de intimidade com seus personagens?
Os acontecimentos de sua história desenvolvem-se independentemente um do outro? Seu leitor é capaz de seguir sem problemas as etapas A, B, C e D de seus acontecimentos?
O ponto culminante de sua história é revolucionário? É satisfatório? A resolução de seu ponto culminante comporta uma surpresa no seu interior? A resolução de seu ponto culminante foi explorada no seu potencial máximo a fim de gerar emoções fortes no seu leitor?
Sua história contém um pouco de justiça poética ou paradoxal? Se não há isso, sua história aceitaria contê-lo?
Sua história mostra as múltiplas faces de seus personagens? Você mostrou a diversidade de seus estados emocionais?
Os personagens são revelados de uma maneira completa no final?
Existem acontecimentos que correm o risco de ir contra o ponto culminante de sua história? Se vocês encontrá-los, elimine-os.
Pergunte se você escolheu uma boa voz narrativa (a forma especial com a qual se exprime seu personagem narrativo imaginário.) É agradável ler sua história por essa voz.
Os flashbacks que você utilizou são todos necessários?
Você esgotou todos os conflitos que merecem ser explorados no contexto de sua história?
As ações importantes foram descritas de modo eficaz?
Pode-se facilmente identificar os conflitos de sua história, se possível, nos conflitos da vida real?
Verifique cada cena, ela é impulsionada por um conflito progressivo? É tão trepidante quanto poderia sê-lo? Se certas cenas não prendem a atenção do leitor, e se sua história pode passar sem elas, elimine simplesmente essas cenas.
Verifique cada fase dos diálogos, eles servem para o conflito? Contribuem para o desenvolvimento dos personagens? Fazem a história avançar? Os diálogos são frios ou cheios de cores? Eles são as coisas mais inteligentes que podem ser ditas por seus personagens?
A escrita é carismática? Sua escrita abre o apetite do leitor? Ela dá ao seu leitor a vontade de sentir, escutar, ver, tocar e utilizar seu sexto sentido?
As ocasiões de fazer o humor são bem concebidas?
A voz passiva foi utilizada no momento em que devia ser ativa? As escolhas de seus verbos beneficiaram-se de uma atenção mais particular de sua parte? Você escreveu de uma maneira precisa e específica no lugar de uma maneira generalizada? Há uma boa densidade temporal e textual nos seus escritos? Sua escrita foi vigorosa e cheia de convicção, ou então espasmódica e insípida?
Dizem que Ernest Hemingway nunca hesitava em reescrever suas cenas até que elas o agradassem, frequentemente até trinta ou quarenta vezes. As críticas de Hemingway dizem que ele era um gênio.
Mas, pensando bem nisso, era o gênio de Hemingway que o levava constantemente a trabalhar duro, ou então era seu duro trabalho que deu nascimento a suas obras de gênio? Eu o deixo meditar sobre essa questão e lhe desejo pleno prazer no seu trabalho e a melhor das satisfações!
N. B.: Traduzido por Helton Cenci da versão em francês intitulada: L'autocritique. Disponível em:<
http://ecrire-conseils.blogspot.com >. Acesso em: 06 set. 2009.
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